O diretor de informação da TVI, Sérgio Figueiredo, justificou esta quarta-feira a notícia avançada pela estação sobre o Banif na noite de 13 de dezembro, que pode ter provocado uma fuga de depósitos e a precipitação da venda do banco. Segundo o diretor de informação da estação, a notícia “no essencial veio a ser confirmada pelos factos que sucederam na semana a seguir” à publicação da informação, bem como pelas “declarações do ministro das Finanças no parlamento”.

Segundo Sérgio Figueiredo, “o cenário de liquidação [do banco] estava em cima da mesa: era verdade”, e o mesmo foi confirmado por Mário Centeno no parlamento: “O cenário de integração [do banco] na Caixa Geral de Depósitos era o preferido do governo”, e este “só não o conseguiu porque Bruxelas não deixou”, defendeu.

“Dizíamos [na notícia] que os acionistas iam perder [dinheiro], e perderam”, sublinhou o diretor de informação da TVI, que explicou ainda que a informação dada pela estação quanto às perda dos depositantes acima dos 100 mil euros também “esteve em cima da mesa”. “Se esta solução não fosse encontrada neste tempo recorde”, defendeu Sérgio Figueiredo, o “novo modelo de resolução que estava previsto e [que] está no calendário – não foi alterado pela notícia -, dia 1 de janeiro as responsabilidades eram assumidas pelos acionistas, obrigacionistas e grandes depositantes” do Banif.

Sérgio Figueiredo recusou ainda as responsabilidades da estação quanto a qualquer perda de valor do banco, como consequência da notícia dada: “Não somos agentes desta história, não somos protagonistas desta história, não desencadeámos esta destruição de valor”, sublinhou, dizendo ainda que a TVI agiu com sentido de “dever” e de “responsabilidade”: “Fomos ao longo da noite afinando a informação, corrigindo pormenores. Não houve um pânico no domingo à noite”, defendeu.

As informações avançadas pela TVI na noite de 13 de dezembro sobre o cenário “iminente” do “fecho do banco” foram alvo de várias críticas. Nessa noite de domingo, a estação passou em rodapé um última hora onde afirmava que o “Banif poderá ser intervencionado esta semana“, e enviou um push para os telemóveis onde dizia: “Banif: está tudo preparado para o fecho do banco“, um cenário que não se veio a verificar, já que a Comissão Europeia não permitiu a integração dos ativos bons do Banif na Caixa Geral de Depósitos. E no rodapé passou também a informação de que os depositantes acima de cem mil euros seriam prejudicados – informação que foi a seguir corrigida também em rodapé.

No parlamento, o ministro das Finanças, Mário Centeno, afirmou que “o Banif ia numa rota de liquidação”, mas que o governo conseguiu evitar o fecho do banco, e acabou por optar pela venda dos ativos bons ao Santander, contrariando assim o cenário que “estava em cima da mesa”, e que a TVI deu como confirmado. Mário Centeno apelidou ainda as notícias de domingo como sendo “falsas”, e afirmou que o banco perdeu valor com essas informações.

Na segunda-feira seguinte, dia 15 de dezembro, a estação divulgou um comunicado com um esclarecimento, onde pedia desculpas aos “espectadores” e aos “acionistas, trabalhadores e clientes do Banif” por uma informação dada sobre o banco – que a estação admitia não ter sido “totalmente precisa e esclarecedora”. Na notícia, “não está considerado o cenário de fecho imediato do banco” – o que, “num primeiro momento, pode ter sido interpretado” pelos espectadores, afirmava a TVI.

No mesmo dia, o conselho de administração do Banif reiterou em comunicado que “tudo fará para fazer valer na justiça os danos irreparáveis” causados à instituição pela TVI, criticando ainda “as notícias infundadas” dadas pela estação, e “a forma irresponsável e deontologicamente reprovável como, sem qualquer preocupação pelo apuramento da verdade”, se publicaram “informações erradas com graves consequências para a atividade do banco”.