O Banco do Japão surpreendeu esta sexta-feira a finança internacional com um corte da taxa de juro dos depósitos, semelhante ao que foi feito na zona euro e em outros locais, para uma taxa negativa que significa, na prática, que os bancos vão pagar quando depositam liquidez financeira no banco central. Esta é uma medida controversa que procura estimular a concessão de crédito à economia, e um analista do UBS diz que “esta poderá ser uma das decisões de bancos centrais mais importantes dos últimos meses, senão mesmo dos últimos anos“.

Beat Siegenthaler, especialista em mercado cambial do UBS, diz que o corte da taxa dos depósitos para -0,1% – e poderá cair mais – pode significar que “o Banco do Japão, que está disposto a fazer tudo para estimular a inflação, pode estar insatisfeito com a falta de progressos no crescimento dos salários e no aumento da inflação”. O analista tinha estado em Tóquio na semana passada e ninguém com quem falou previa esta decisão histórica.

A decisão surpreendeu tudo e todos porque Haruhiko Kuroda, o governador do banco central japonês, tinha dado a entender no início de janeiro que não contemplava esta hipótese. Uma das coisas que mudou, entretanto, e que pode ter influenciado a decisão japonesa, é que o Banco Central Europeu (BCE) admitiu que podem estar na calha mais estímulos – já a partir do próximo mês de março.

Mais estímulos monetários na zona euro tendem a significar uma divisa europeia mais fraca. O que, por sua vez, implica que os fluxos de capitais internacionais olham com maior apetite para as alternativas – e o iene japonês pode, por essa via, encarecer. A confirmar-se, esse encarecimento do iene poderia travar ainda mais a inflação no Japão – cujo estímulo é uma prioridade para as autoridades japonesas.