O presidente da EDP, António Mexia, afirmou esta quinta-feira que os resultados em 2015 foram claramente afetados por Portugal, culpando um conjunto de regras que não existiam quando as decisões de investimento no país foram tomadas.

“É preciso ser claro que a aposta em Portugal foi determinante. Vê-se pelo peso do investimento no peso do investimento total feito pela companhia, mas olhando para estes números que são óbvios, o resultado este ano é claramente afetado por Portugal”, afirmou o gestor, referindo o investimento de 700 milhões de euros em Portugal, de um total de 1.700 milhões realizado pelo grupo no último ano.

António Mexia sublinhou o aparecimento de “um conjunto de regras que não estavam lá quando foram tomadas as decisões de investimento” e que, acrescentou, “penalizam o investimento em Portugal”. O gestor criticou a manutenção da contribuição sobre o setor energético (CESE), que custou 62 milhões à elétrica em 2015, considerando que “se as medidas excecionais entram em conjunto também saem em conjunto”.

Também foi muito crítico em relação à proposta do Bloco de Esquerda para a tarifa social, lendo uma comunicação do Parlamento Europeu, que representa a visão da elétrica: a tarifa social deve existir, mas ser suportada pelo Estado ou pelos outros clientes.

António Mexia desvalorizou a decisão da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) de reforçar a supervisão do mercado de serviços de sistema, obrigando a EDP a reportar informação mais detalhada, o que terá uma poupança para o consumidor de cerca de 120 milhões de euros.

“Não há nada de novo. Estamos a aplicar o que tem a ver com as regas introduzidas em 2014 e esse impacto já está previsto”, afirmou. A EDP fechou o ano passado com lucros atribuíveis aos acionistas de 913 milhões de euros, menos 12% face aos 1.040 milhões de euros em 2014, divulgou hoje a elétrica liderada por António Mexia.

Os resultados antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) atingiram os 3.924 milhões de euros em 2015, mais 8% em termos homólogos. No ano passado, o investimento global do grupo foi de 1.700 milhões de euros, dos quais 700 milhões em Portugal, sobretudo na construção de hídricas e na melhoria da qualidade do serviço na distribuição.