Congresso do PSD

As peças do passismo parte IV. Quem é quem?

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Não se pode falar em renovação. Passos mantém os homens fortes no núcleo duro mas promove mulheres, que passam a estar em maioria. Há desviados, promovidos e apostas na juventude. Mas pouco.

JOSÉ COELHO/LUSA

Pedro Passos Coelho foi eleito líder do PSD pela primeira vez em 2010, o que faz desta a sua quarta vez à frente do partido. De lá para cá, com um governo pelo meio, as peças-chave do xadrez do passismo pouco têm mudado. A preparar-se para um ciclo político difícil na oposição, enquanto dura e não dura a geringonça, Passos manteve os reis, promoveu as rainhas, reposicionou algumas torres e foi buscar novos peões. Quem é quem nesta nova direção?

As promovidas

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Maria Luís Albuquerque. A sua vida política tem existência recente, mas marcante. Foi a peça que Passos Coelho foi buscar para as Finanças depois da saída de Vítor Gaspar, na crise política do verão de 2013. Uma decisão que quase fazia o castelo do então primeiro-ministro ruir, com Paulo Portas a apresentar demissão do Governo em desacordo com a opção Maria Luís, até aí secretária de Estado do Tesouro. Seguiram-se dois anos como ministra de Estado e das Finanças, e o abalo dos swaps, os polémicos resgates à banca, a carga de austeridade aplicada. Acaba o Governo com a popularidade em baixa, a contestação em máximos, mas Passos foi buscá-la para o combate eleitoral e colocou-a à frente de distrito de Setúbal. Voltou a insistir no mesmo nome para a pasta das Finanças, no Governo mais curto de sempre.

Maria Luís acabou por ficar no Parlamento, como deputada e, depois, foi contratada para administradora não executiva de uma financeira britânica que gere dívida. Nova polémica, novo tumulto. O partido desconfortável, mas Passos não. Novamente, no meio da discórdia, o líder resgata aquele que considera “um dos melhores recursos” do PSD e chama a mulher das Finanças para o seu núcleo político. A confiança entre os dois foi forjada durante a tempestade económico-financeira e mantém-se à prova de qualquer embate. E dão ambos outro sinal: a recente vida política de Maria Luís não é para ficar por aqui.

Sofia Galvão – É uma figura que mistura várias fases do PSD. É advogada, especialista na área do território, esteve no Governo de Santana Lopes, como secretária de Estado da Presidência (do ministro Morais Sarmento) e secretário de Estado da Administração Pública, foi vice da direção do PSD da era Ferreira Leite e escreveu um livro “Introdução ao Direito” com Marcelo Rebelo de Sousa, com quem tem uma relação antiga. Agora entra para a direção de Pedro Passos Coelho.

Teresa Morais – Nestas promoções no feminino não faltou a mulher a que Passos Coelho deu a pasta da igualdade de género no tempo do seu Governo. O líder do PSD já não se tinha esquecido dela quando foi a altura de distribuir as pastas daquele que havia de ser o Governo mais curto de sempre (depois das legislativas de Outubro passado), chamando-a para a Cultura, um novo ministério da governação passista. Foi subindo passo a passo no partido, tendo começado nestas lides parlamentares em 2002, era Durão Barroso o líder do PSD (que nesse ano foi eleito primeiro-ministro).

Os desviados

PSD: 36.º congresso nacional

Carlos Carreiras. Era um dos que compunha o clube dos seis vices que ladeavam Passos Coelho na comissão permanente – órgão de direção mais restrito, onde estão os braços direitos do líder -, mas está de saída. Não se pode chamar despromoção, porque em troca Passos dá-lhe aquela que é talvez a pasta mais importante dos próximos tempos: a coordenação do processo das eleições autárquicas. Presidente da câmara de Cascais, Carlos Carreiras vai ser agora o presidente da comissão autárquica, uma estrutura nova que o líder decidiu criar para alinhar as tropas em torno das eleições locais de 2017. A fasquia está alta. O objetivo, disse Passos no arranque do congresso, é ganhar a maioria das câmaras, e reconquistar com isso a presidência da Associação Nacional de Municípios. Para isso é preciso recuperar algumas das câmaras mais importantes do país, perdidas em 2013: Lisboa, Porto, Sintra ou Gaia. O desafio não vai ser fácil.

José Matos Correia. É outro dos vices que sai da comissão política permanente mas a quem é dada uma pasta de peso: a presidência do conselho estratégico do partido, um órgão consultivo do presidente do partido para “as grandes questões nacionais”, que está previsto nos estatutos mas que nunca foi posto em prática nas antigas direções de Passos Coelho. Para este novo ciclo, contudo, Passos diz que vai ser um cargo “muito importante na oposição”. Matos Correia é deputado desde 1999, agora vice-presidente da Assembleia da República e advogado de profissão. Barrosista da primeira hora, tem estado sempre ao lado de Passos.

Pedro Pinto. Velho amigo de Pedro Passos de outros tempos (promoveu-o na JSD), Pedro Pinto era também presença assídua na direção. Agora deixa de ser um dos seis vices e passa a estar à frente da comissão nacional de auditoria financeira, um órgão novo introduzido nos estatutos do partido no congresso de há quatro anos. Deputado desde a década de 80, foi líder da Juventude Social-Democrata antes de Passos Coelho e acompanhou todo o processo de ascensão do ex-primeiro-ministro.

Os do costume

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Marco António Costa. Do clube dos seis vices da antiga direção mantém-se três peças-chave: Marco António Costa, Jorge Moreira da Silva e Teresa Leal Coelho. São as torres que Passos se recusa a desviar de posição. Visto como o homem do aparelho, Marco António Costa foi durante o período do PSD no Governo o porta-voz do partido, fazendo as vezes de Passos na sede nacional. Mas numa altura em que o líder já não tem funções governativas e é presidente a tempo inteiro, Marco António Costa chegou ao congresso na sexta-feira com uma mensagem propositadamente enigmática: “Vou descansar um pouco”. A composição da nova direção, por esta altura, ainda estava no segredo dos deuses e, à sua volta, alguns militantes e congressistas interpretaram como uma forma de pressionar o líder. Ou então, caso se confirmasse a sua manutenção no núcleo duro, uma forma de mostrar como, afinal, era presença “indispensável”. Assim foi. Atualmente é deputado à Assembleia da República.

Jorge Moreira da Silva. Ex-ministro do Ambiente e um dos mais antigos aliados de Passos na máquina do partido, Jorge Moreira da Silva mantém-se firme na qualidade de vice do partido e braço direito do líder. Ultimamente tem sido atirado para a ribalta como um dos possíveis candidatos do PSD à câmara de Lisboa nas autárquicas de 2017. Foi o sucessor escolhido por Passos na JSD.

Teresa Leal Coelho. Completa o trio dos inamovíveis. Entra na categoria dos amigos lá de casa. Tem sido uma aposta recorrente de Passos Coelho. Destaca-se no Parlamento pela forma como se desalinha da bancada laranja nas questões de consciência, mais ou menos fraturantes, como o aborto, casamento gay ou adoção por casais homossexuais. Nesta legislatura foi-lhe mesmo dada uma das mais importantes pastas na Assembleia da República: a de presidente da comissão parlamentar de Orçamento e Finanças.

Matos Rosa. Continua como secretário-geral do PSD, cargo que ocupa desde 2011 quando entrou para substituir Miguel Relvas. Quando o PSD de Passos ganhou as eleições há quatro anos Matos Rosa era quem assumia as funções de secretário-geral ainda que de forma interina e o seu desempenho mereceu fortes elogios do líder. Um ciclo inteiro depois, Passos mantém esta peça no puzzle da organização partidária.

Calvão da Silva. Continua também como presidente do Conselho de Jurisdição Nacional, órgão encarregado de “velar, a nível nacional, pelo cumprimento das disposições constitucionais, legais, estatutárias e regulamentares por que se rege o partido”. Não é um cargo exatamente político, mas judicial. É o tribunal interno do partido. Passos não mexe. Calvão da Silva chegou a ser ministro da Administração Interna no curto governo do PSD/CDS que foi formado no pós-legislativas de 2015, mas que acabaria por cair no Parlamento cerca de um mês depois.

Fernando Ruas. É outro cargo mais simbólico onde Passos não mexe: Fernando Ruas mantém-se como presidente da Mesa do Congresso, dirigindo os trabalhos do órgão do partido responsável pela definição da estratégia política. Ex-autarca e ex-presidente da Associação Nacional de Municípios é um habitué como mandatário das campanhas internas de Passos, tendo ocupado este ano mais uma vez essa posição.

Entre os vogais da comissão política nacional que transitam da antiga direção para esta estão António Topa, que liderou a distrital de Aveiro, Pedro do Ó Ramos, ex-líder da distrital de Setúbal, deputado e ex-diretor de campanha interna de Passos Coelho à liderança do PSD, que chegou ainda a ser secretário de Estado no curto Governo de Passos e Portas do pós-legislativas. Também o vice-presidente da bancada social-democrata Luís Leite Ramos se mantém como vogal deste órgão de direção.

As apostas

Além das grandes promoções já faladas, de Maria Luís, Teresa Morais e também de certa forma de Marques Guedes, a pouca renovação de Passos vê-se no grupo de vogais que escolheu para completar a comissão política nacional, que é o órgão de direção política do partido e de apoio ao presidente. Em 10 vogais, Passos manteve apenas três, deixou sair sete e introduziu novos rostos mais jovens no partido: Francisca Almeida, ex-deputada, Hermínia Santos, Joana Barata Lopes, deputada e dirigente da JSD, João Moura, José António Luís, Ofélia Ramos, e Miguel Goulão.

Foi, nomeadamente, a introdução de Joana Barata Lopes neste órgão de direção mais restrito que levou a JSD a não apresentar uma lista autónoma ao Conselho Nacional. Foi a primeira vez que não o fez em anos, justificando que Passos Coelho mostrou maior abertura para incluir e premiar a jota. O líder da JSD, Simão Ribeiro, já tem assento no órgão, por inerência.

(Este artigo foi corrigido dia 4 de Abril, às 15h45. Teresa Morais não começou nas lides política no gabinete de Nuno Morais Sarmento, foi sim eleita deputada pela primeira vez em 2002, era Durão Barroso líder do PSD)

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