Os clientes do papel comercial do Grupo Espírito Santo (GES) reuniram-se com Banco de Portugal e CMVM, na primeira reunião após o acordo em que todas as partes se comprometeram a ter uma solução até maio.

De acordo com os dados recolhidos pela Lusa, a reunião decorreu esta manhã entre representantes da Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial do Grupo Espírito Santo, do Banco de Portugal, da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), do ‘banco mau’ BES e do Governo, que representa o papel de mediador, e está já previsto um novo encontro na próxima semana, ainda não estando definido quando acontecerá.

As reuniões decorrem com periodicidade acelerada, uma vez que o acordo assinado na semana passada — com a presença do primeiro-ministro, António Costa — compromete todas as partes a encontrarem uma solução até início de maio e este é um tema que o Governo assumiu como prioridade e em que considera que está em jogo a reposição da confiança no sistema financeiro.

As partes envolvidas estão agora a discutir de onde virá o valor que os clientes receberão para compensar pelo dinheiro perdido por terem investido em papel comercial do Grupo Espírito Santo (GES). No entanto, os responsáveis que estão nas negociações não adiantam informação sobre pormenores da discussão, alegando “confidencialidade”.

Sabe-se apenas que são cada vez mais as pessoas à mesa das negociações, uma vez que as entidades envolvidas fazem-se rodear de técnicos para assegurar a segurança jurídica do que está a ser preparado.

Na semana passada foi assinado em Lisboa, na presença do primeiro-ministro, António Costa, um memorando de entendimento que compromete Banco de Portugal, Comissão do Mercado de Valores Mobiliários e ‘banco mau’ a chegarem a uma solução que satisfaça e a Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial.

O documento de três páginas estabelece o objetivo de chegar a uma solução até ao início de maio.

Em causa estão 2.084 clientes que reclamam 432 milhões de euros que investiram em papel comercial das empresas Espírito Santo International e Rio forte, comprando os títulos aos balcões do BES. O investimento foi dado como quase completamente perdido aquando da implosão do Grupo Espírito Santo.

A associação que representa os lesados já admitiu por várias vezes que é provável que haja perdas para os clientes, que cada um poderá não conseguir recuperar tudo o que investiu, mas que irá lutar pelo “máximo possível”.