Dos oito minutos e quarenta e dois segundos que durou o discurso de Dilma Rousseff na ONU, apenas trinta segundos foram dedicados à atual situação do Brasil. Já no fim da intervenção que fez na Assembleia Geral da organização, em Nova Iorque, Dilma teve só uma breve referência ao “grave momento” que o país atravessa. “O Brasil é um grande país, com uma sociedade que soube vencer o autoritarismo e construir uma pujante democracia”, disse a presidente, confiante de que o povo brasileiro “saberá impedir quaisquer retrocessos”.

Depois de, na semana passada, ter atacado os opositores políticos por estarem a fazer um “golpe”, Dilma optou nas Nações Unidas por se focar no Acordo climático de Paris, ratificado esta sexta-feira pelos países que compõem a organização. Nesse âmbito, disse ter “orgulho” do que o governo brasileiro tem feito pelo combate às alterações climáticas e salientou que os “países em desenvolvimento, como o Brasil, têm apresentado resultados expressivos na redução das emissões e se comprometeram com metas ainda mais ambiciosas”.

Antes, à chegada a Nova Iorque, deu-se o outro momento em que a política interna marcou a viagem de Dilma aos Estados Unidos. Em frente à casa do embaixador brasileiro junto da ONU, cerca de 40 pessoas receberam a presidente com gritos e cartazes de apoio. Dilma agradeceu as palavras de força e recebeu flores dos apoiantes. Já em frente à ONU concentraram-se cerca de dez pessoas que apoiam o impeachment.

Quem também foi a Nova Iorque, mesmo sabendo que não poderia assistir ao discurso de Dilma, foi um grupo de deputados apoiantes do impeachment.

Apesar de, para já, Dilma ter conseguido fugir ao tema, a presidente brasileira ainda vai dar uma entrevista coletiva a vários órgãos de comunicação norte-americanos durante a estada em Nova Iorque.