Os indicadores da atividade da construção mantiveram-se nos primeiros meses do ano a um nível “dececionante”, mas as perspetivas de evolução futura são positivas, de acordo com a federação do setor.

De acordo com a análise de conjuntura de abril de 2016 da Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas (FEPICOP), segundo o INE, o Índice de Produção da Construção continua a evoluir de forma negativa, tendo registado uma quebra superior a 4% durante os dois primeiros meses do ano, enquanto o consumo de cimento caiu 7% no mesmo período.

Pelo contrário, refere, “as perspetivas de evolução futura são positivas, com a procura dirigida ao setor a recuperar, tal como indica o crescimento observado no licenciamento de novas construções e o significativo acréscimo registado pelo valor dos concursos públicos promovidos face ao ano passado”.

No que respeita ao mercado residencial, a FEPICOP destaca o aumento de 10% no número de fogos novos licenciados até fevereiro de 2016 e a subida de 8,6% na área licenciada para esse fim no mesmo período.

Já o crédito novo concedido para aquisição de habitação continua a evoluir de forma expressiva (com uma subida de 53% em janeiro), embora o montante concedido mensalmente se encontre ainda longe dos valores alcançados em períodos anteriores (347 milhões de euros concedidos em janeiro de 2016, face a 1,582 mil milhões de euros concedidos 10 anos antes), destaca a federação.

Ainda assim, o número de fogos transacionados em 2015 subiu 27% face a 2014, alcançando os 107 mil (mas apenas 20% dos quais eram novos), acrescenta.

Relativamente ao licenciamento de edifícios não residenciais “a recuperação é ainda mais significativa”, com um crescimento de 22% até fevereiro, após uma queda de 2,3% ao longo de 2015, sinaliza.

Segundo a FEPICOP, os indicadores associados ao mercado das obras públicas também apontam para uma realidade atual “menos favorável do que o previsto, mas com sinais positivos quanto ao desenvolvimento futuro da atividade ligada a este tipo de trabalhos”.

Assim, refere, tendo o valor dos contratos celebrados até ao final de março caído 36% face ao período homólogo, observou-se, nesse trimestre, um acréscimo de 24% no valor dos concursos de obras públicas promovidos, o que permite antecipar um aumento, ainda em 2016, da atividade deste mercado.