O antigo vice-governador do Banco de Portugal João Salgueiro disse hoje que é preciso evitar vulnerabilidades nos bancos portugueses que, numa situação limite, os possam conduzir a uma resolução semelhante à do Banif.

Os promotores do manifesto ‘Reconfiguração da Banca em Portugal – Desafios e Linhas Vermelhas’, de que João Salgueiro é o rosto mais visível, estiveram hoje a apresentar as suas ideias para o futuro do setor bancário português perante os deputados da Comissão de Orçamento e Finanças.

Muito crítico da resolução do Banif, decidida em dezembro do ano passado, como já repetiu muitas vezes, João Salgueiro disse que é fundamental impedir que “essa situação seja reproduzida noutros bancos portugueses”.

Para o economista, “no sistema bancário português há vários casos que precisam de ser equacionados”, o caso do Novo Banco, da Caixa Geral de Depósitos, BCP e mesmo outros “bancos de dimensão menor”, para minimizar situações que possam vir a reduzir de forma significativa o valor destas instituições.

“Há vulnerabilidades que podem levar a um desenlace parecido com o do Banif”, afirmou Salgueiro, pedindo atenção às autoridades portuguesas para que – por vezes por meros “rumores” – seja colocada em causa a viabilidade de bancos.

João Salgueiro volta a falar sobre a banca

Em maio, João Salgueiro, ex-ministro das Finanças de Francisco Pinto Balsemão, já tinha provocado polémica depois de ter dito, em entrevista à Antena 1, que podiam existir mais três bancos na linha de resgate. Perante a discussão que as palavras do economista provocou, o antigo presidente da Associação de Bancos Portugueses veio esclarecer: “Não é tudo resgates”.

Em entrevista à Antena 1, João Salgueiro tinha afirmado o seguinte: “O Banif é o primeiro alerta para nós mas como há outros bancos na linha para serem resgatados… O caso do Novo Banco? O caso do Novo Banco… pode ser o caso do BCP, pode ser o caso da Caixa, pode ser o caso de um banco mais modesto que pode ficar caríssimo também”.

Posteriormente, em declarações ao Dinheiro Vivo, o economista esclareceu: “Os três casos são diferentes, não são todos um resgate. São três bancos em linha para acontecer o mesmo que ao Banif”, que foi intervencionado, ressalva João Salgueiro.

“No caso da Caixa Geral de Depósitos pode ser preciso um aumento de capital. Capitalizar a Caixa é uma obrigação mas não se pode discriminar o banco em função do seu acionista [o Estado]”. No limite, Bruxelas pode dizer que um aumento de capital “confere um auxílio de Estado”, como aconteceu com o Banif. No caso do Novo Banco, “é preciso tempo” — não deve ser vendido à pressa. Já sobre o BCP, João Salgueiro diz que este é “um caso que estaria interessado em aumentar de dimensão”, embora esteja com limitações impostas por Bruxelas.

O ex-ministro das Finanças condenou, ainda, o facto de ninguém assumir a responsabilidade pelo processo de resolução e venda do Banif. “Em Bruxelas dizem que a decisão foi tomada por Portugal. Portugal diz que foi Bruxelas. É lamentável que isto se passe sem que ninguém assuma responsabilidade”.