Voltará o Reino Unido a ter uma mulher primeiro-ministro? A resposta está mais perto de ser positiva, depois de a votação dos deputados conservadores de esta terça-feira determinar uma preferência clara: Theresa May, já apelidada de “rainha do gelo”, conseguiu o apoio de 165 deputados. De fora da corrida fica Liam Fox, antigo ministro da Defesa, ao arrecadar apenas o consenso de 16 políticos.

Andrea Leadsom segue em segundo lugar com 66 votos, passando à frente de Michael Gove (48) — é a candidata menos experiente e menos conhecida dos cinco e apoia fervorosamente a rápida saída do Reino Unido da União Europeia. Esta foi a apenas a primeira ronda de uma votação interna que é retomada esta quinta-feira.

Como é eleito o líder do Partido Conservador

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Em finais do mês de junho, o Observador dava conta do elaborado sistema que permite eleger o próximo líder do Partido Conservador.

  • Cada dois deputados conservadores nomeiam um candidato, e entregam esse nome ao presidente do “1992 Comittee”, que é basicamente um comité constituído por 18 parlamentares do Partido Conservador;
  • Se apenas um nome for apresentado, essa pessoa é automaticamente escolhida para líder do partido;
  • Se houver dois nomes indicados, os membros do partido são chamados a votar, por correspondência, num deles e o mais votado é eleito líder;
  • Se surgirem três ou quatro candidatos à liderança, os parlamentares são chamados a escolher apenas dois;
  • Os dois que restarem vão então a votos — por correspondência. A escolha é feita pelos 125 mil membros do Partido Conservador.

Logo após o referendo que determinou a saída do Reino Unido da UE, David Cameron admitia aos media não sentir-se capaz de ser o capitão daquele navio. A demissão anunciada após o Brexit iniciou uma nova batalha pelo poder dentro do Partido Conservador. A propósito disso, os 330 deputados conservadores começaram a votar esta tarde, entre as 11h00 e as 18h00, para decidir quem será o próximo líder do partido e, consequentemente, o primeiro-ministro do Reino Unido. A votação foi feita à porta fechada e já se sabe que David Cameron não votou para escolher o seu sucessor.

Na disputa pelo poder estavam cinco candidatos: Theresa May, apelidada de “Rainha do gelo”, Michael Gove, que em tempos disse não ambicionar chegar à liderança do país, Andrea Leadsom, agora com o apoio de Boris Johnson que já antes abandonara a corrida, Stephen Crabb e Liam Fox, que estava a ser apontado desde o início como o primeiro candidato a saltar fora.

Theresa May, a candidata que mais apoio angariou, é considerada uma mulher discreta, próxima de Cameron mas não seguidista, como chegou a escrever o Observador no final do mês de junho. Defende a permanência do Reino Unido na União Europeia, mas está longe de considerar a respetiva saída como um resultado ruinoso para a nação britânica. Aos 59 anos detêm o cargo de ministra da Administração Interna desde 2010, sendo que na sua posse está a polémica pasta da imigração. No passado assumiu também a pasta das Mulheres e Igualdade, que abandonaria em 2012, e foi a primeira mulher a ser nomeada presidente do Partido Conservador, em 2002.

Nas primeiras declarações à imprensa, Theresa May disse, citada pelo The Guardian, que há “um grande trabalho pela frente”, isto é, “unir o nosso partido e o nosso país, negociar o melhor acordo possível à medida que saímos da UE e tornar o Reino Unido melhor”. A candidata mais votada pelos membros do Partido Conservador disse ainda ser “o único candidato capaz de concretizar estas três coisas enquanto primeiro-ministro”.

Os resultados oficiais da primeira ronda de votações

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O jornal britânico The Guardian dá conta dos seguintes resultados oficiais:

Theresa May – 165

Andrea Leadsom – 66

Michael Gove – 48

Stephen Crabb – 34

Liam Fox – 16

Liam Fox, ex-ministro da Defesa, estudou medicina da Universidade de Glasgow e foi eleito para o Parlamento em 1992. Aos 54 anos, o candidato conservador votou a favor do Brexit. Desempenhou ainda vários papéis no governo de John Major, líder do Partido Conservador e primeiro-ministro britânico entre 1990 e 1997.

Depois da saída de Liam Fox, a votação dos deputados recomeça já na quinta-feira. Uma terceira ronda, se necessário, acontecerá na terça-feira seguinte, dia 12 de julho, com a votação a incidir nos últimos dois candidatos — cabe precisamente aos 330 deputados conservadores decidir quais os dois nomes a serem votados pelos militantes na eleição prevista para o início de setembro.