O BCP anunciou esta sexta-feira que teve “resultados claramente positivos” nos testes de stress do BCE, com um rácio de capital “superior a 7% no cenário adverso, comparando com um valor de referência de 5,5%”. Nos testes de stress de 2014, o BCP tinha ficado menos bem na fotografia com uma capitalização de 2,99% num cenário adverso comparável.

A Autoridade Bancária Europeia (EBA) divulgou esta sexta-feira os seus testes de stresse a 51 bancos europeus. Nesse grupo não consta nenhum banco português, mas houve um exercício paralelo que foi feito nos principais bancos portugueses, incluindo o BCP, e o banco liderado por Nuno Amado decidiu divulgar os resultados.

O resultado “comprova a evolução favorável do BCP”, diz Nuno Amado em conferência de imprensa para apresentar resultados semestrais. Ao contrário do que aconteceu em 2014, não havia uma fasquia para passar e chumbar, mas o BCP refere-se aos 5,5% porque essa foi a fasquia utilizada há dois anos.

Quanto aos resultados, o banco fechou o semestre com prejuízos de 197,3 milhões de euros, mas o banco prefere olhar para um lucro “sem itens não habituais” de 56,2 milhões de euros. No mesmo registo, o resultado recorrente do ano passado foi de 21 milhões de euros em prejuízo.

A margem financeira do banco, um indicador chave para a rentabilidade da instituição, subiu 5,1% para 600,8 milhões de euros, “suportada nas evoluções favoráveis tanto na atividade em Portugal como na atividade internacional”.

Um dos efeitos que o BCP considera não recorrentes diz respeito a “imparidades adicionais para reforço de coberturas” do crédito em risco.

Os itens não habituais, líquidos de imposto, incluem os ganhos realizados na alienação de títulos de dívida pública portuguesa de 273,6 milhões de euros no primeiro semestre de 2015, que não tiveram correspondência no mesmo período de 2016, as dotações adicionais de 211,5 milhões de euros para imparidade de crédito destinadas a reforçar o seu nível de cobertura, a desvalorização de fundos de restruturação empresarial, que se situou em 77,3 milhões de euros, mitigados pelos ganhos na aquisição da Visa Europe pela Visa Inc., quer pelo Banco em Portugal quer pelo Bank Millennium na Polónia, ascendendo a 20,9 milhões de euros e 26,2 milhões de euros, respetivamente”.

Nuno Amado sublinhou que a decisão de fazer imparidades foi uma decisão “excecional” para reforçar o balanço dos bancos. Foi um reforço “pelos nossos meios”, disse o presidente do banco, ou seja, sem ajuda de qualquer banco mau. Nuno Amado diz que “se houver uma forma de poder retirar ou separar ativos que são ativos que não são rentáveis, em condições razoáveis, que as definam e nós analisaremos e tomaremos as decisões adequadas”. “Não podemos é estar sempre a falar sobre um tema de que não conhecemos os detalhes”, atirou Nuno Amado.

Três vezes mais dinheiro gasto com imparidades do que com salários

O banco assumiu 618,7 milhões de euros em imparidades de crédito, ou seja, crédito malparado (líquido de recuperações). Além destes, houve 198 milhões em “outras imparidades e provisões, “refletindo o impacto de 126,3 milhões de euros associados à desvalorização de fundos de reestruturação empresarial”.

Em contraste, o banco baixou para 272,5 milhões os custos com pessoal.

Quanto ao reembolso do empréstimo estatal que falta reembolsar (750 milhões), na conferência de imprensa de apresentação de resultados, Nuno Amado indicou que “a informação que temos é que com tudo o que se está a passar em termos europeus e os próprios testes de stress, isso será analisado após o verão”. O banco já indicou que tem a intenção de reembolsar uma parte da ajuda estatal remanescente.

Sobre o Novo Banco, Nuno Amado não se alongou. “Fizemos uma proposta, uma carta de interesse com um determinado perfil, mas assinámos um acordo de confidencialidade e vamos respeitá-lo”, afirmou o presidente do BCP.

Aumento de capital? “Não há nenhuma decisão sobre aumento de capital”, reiterou Nuno Amado, em resposta a uma pergunta sobre a especulação no mercado sobre um possível aumento de capital. Ainda assim, afirmou: “tomaremos as decisões no futuro que tivermos de tomar para fazer as coisas bem feitas”.