Os chineses da Fosun estão “abertos a vender” os 20% que restam da sua participação no capital do Millennium BCP, noticia a Reuters citando duas fontes próximas do processo. Os acionistas chineses, que já venderam dois blocos de ações nos últimos meses, já sondaram pelo menos dois bancos espanhóis – o BBVA e o CaixaBank (dono do BPI) sendo que este último não se terá mostrado interessado na aquisição.

Esta é uma participação acionista que, à cotação bolsista do BCP nesta segunda-feira, valeria cerca de 836 milhões de euros. Contactado pelo Observador, o Millennium BCP não quis fazer qualquer comentário à notícia da Reuters. Por outro lado, os chineses da Fosun garantem, em comunicado, que a notícia da Reuters se baseia em “especulações”.

“Rejeitamos especulações recentes sobre negociações para vender a participação no BCP aos bancos referidos na notícia da Reuters”, diz a Fosun. Segundo o Jornal de Negócios, além do BBVA também o francês BNP Paribas poderá estar entre os interessados.

Negócio da China. Fosun faz encaixe chorudo e deixa BCP num “limbo” acionista

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Sem que disso tenha havido notícia na altura, os chineses venderam em bolsa mais de 4% do capital do banco nos últimos meses. As vendas (em bolsa) aconteceram entre 13 de novembro de 2023 e o último dia 9 de janeiro. Foi assim que os chineses começaram por aproveitar a forte valorização das ações do BCP ao longo do ano passado: cada título começou o ano de 2023 a valer cerca de 15 cêntimos e terminou o ano em 27 cêntimos – ou seja, as ações quase duplicaram e a chinesa não quis perder a oportunidade de garantir uma mais-valia.

Mas a Fosun não se ficou pelas vendas em bolsa de cerca de 4% do capital. No final de janeiro, anunciou que vendeu mais 5,6% do capital do BCP, de uma assentada, numa colocação privada que foi orquestrada pelo UBS, banco suíço que garantiu a venda desses títulos a outros grandes investidores internacionais. Essa segunda operação rendeu 235 milhões de euros, segundo confirmou a Fosun em comunicado ao mercado, ao passo que a primeira poderá ter resultado num encaixe superior a 175 milhões de euros, a julgar pelos valores a que as ações do BCP foram negociadas em bolsa no final do ano passado e início de 2024.

Oficialmente, o BCP diz ter sido “informado de que a intenção da Fosun é de manter uma participação acima dos 20%, permanecendo como acionista de referência”. Porém, a julgar pela notícia da Reuters desta segunda-feira, os chineses poderão, afinal, estar a tentar vender o que resta da participação no banco português.

Nuno Amado, presidente do conselho de administração do BCP, disse no dia em que foi conhecida a venda de ações pela Fosun que “não há receios” em torno do banco. “O BCP está bem e recomenda-se”, afirmou Amado, numa resposta que viria a repetir, mais tarde, na apresentação de resultados do banco.