Maior mercado automóvel do mundo, a China é, de alguns anos a esta parte, um país a que a maioria dos fabricantes dispensa particular atenção, sendo vários os que estabeleceram parcerias com empresas locais para aí assegurarem uma presença de relevo, não raras vezes desenvolvendo modelos específicos para o efeito.

Matt Tsien, responsável máximo pela GM China, não renega o peso que o mercado chinês continuará a ter nas vendas das marcas, mas subscreve uma perspectiva interessante em relação a esse crescimento. Em declarações ao “Automotive News”, Tsien começa por referir que a GM prevê que as vendas de automóveis na China passem de 24,6 milhões de veículos em 2015 para 30 milhões de unidades anuais em 2020, e que, ainda assim, o crescimento se mantenha. Claro que haverá um ponto de saturação, mas, para o gigante norte-americano, estaremos ainda a cerca de uma década de tal acontecer.

Mas o mais importante poderá ser a alteração do padrão de consumo local. Tsien crê que o desenvolvimento económico da China, enquanto país, fará crescer de forma significativa as vendas de automóveis nas cidades mais pequenas, nomeadamente as de veículos compactos e utilitários – segmento muitas vezes ignorado pelos fabricantes estrangeiros, ainda concentrados na venda de modelos de algum porte e prestígio nos grandes centros urbanos, onde o poder de compra é, obviamente, maior.

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Esta tendência começa já a verificar-se. Enquanto que as vendas tendem a estabilizar em metrópoles como Pequim e Xangai, o seu crescimento não dá quaisquer sinais de abrandamento, bem pelo contrário, nas cidades mais pequenas e nas zonas rurais (registando taxas de dois dígitos), onde os utilizadores tendem a preferir automóveis mais básicos e acessíveis – os tais veículos com margens de lucro mais reduzidas que os fabricantes estrangeiros têm largamente negligenciado.

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Perante isto, Mark Tsien defende que a GM está melhor colocada do que a concorrência para fazer face a esta eventual alteração na procura. O responsável recorda, a propósito, os investimentos feitos no início do século, quando foi criada a SAIC-GM-Wulling Auto – entre a General Motors e dois construtores locais (SAIC Motor Corp Ltd. e Guangxi Automobile Group) – que vendem já cerca de 2 milhões de automóveis/ano através de duas marcas low-cost, a Wulling e Baojun.

Estes são factores que permitirão à GM olhar com optimismo para o seu futuro na China, mercado em que ocupa o lugar cimeiro das vendas. Nos primeiros seis meses de 2016, as suas vendas cresceram 5,3% face ao mesmo período de 2015, para 1,81 milhões de unidades, suportadas, especialmente, pelo aumento da procura por modelos da Buick, Cadillac e Baojun. O seu principal rival, o Grupo VW, vendeu no primeiro semestre de 2016 1,74 milhões de veículos, o que traduz um crescimento de 6,8% relativamente à primeira metade do ano transacto.