A taxa de desemprego fixou-se em 10,8% no segundo trimestre, de acordo com valores estimados pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE). Este valor traduz uma descida em relação ao trimestre anterior de 1,6 pontos percentuais e uma redução de 1,1 pontos percentuais face ao mesmo trimestre do ano passado.

O INE destaca que a taxa de desemprego registada entre abril e junho é o “valor mais baixo desde o 1º trimestre de 2011”, antes do pedido de assistência de Portugal e da chegada da troika. Este período marca aliás o início de uma série estatística, com novos critérios, pelo que comparações com os números anteriores não são corretas. A taxa trimestral agora anunciada é a mais baixa de toda série, mas isso não significa que haja mais pessoas com emprego do que no início de 2011, pelo contrário.

No primeiro trimestre de 2011, a taxa de desemprego era de 12,4%, mas o número de pessoas empregadas era de 4,775 milhões. No segundo trimestre deste ano, com o desemprego nos 10,8%, o número de empregados era de 4,603 milhões.

O saldo líquido entre os dois períodos aponta para menos 172 mil postos de trabalho. Mas como a população ativa recuou em 289 mil pessoas, a taxa de desemprego acabou por também por baixar, para o tal valor mais baixo desde o início de 2011. A aplicação do programa de ajustamento, a partir do terceiro trimestre de 2011, foi acompanhada por um aumento contínuo nos números do desemprego, situação que só foi travada a partir do segundo trimestre de 2013.

O desemprego baixou até ao segundo e terceiros trimestres do ano passado, com a taxa a estabilizar nos 11,9%, mas os valores trimestrais subiram nos dois períodos seguintes.

Ainda com base nas estimativas divulgadas pelo INE para o segundo trimestre, a população desempregada era de 559,3 mil pessoas, o que traduz uma diminuição de 12,6% face ao trimestre anterior, ou seja, menos 80,9 mil pessoas.

Aumento da população empregada é comum no 2º trimestre

A população empregada cresceu 2% para 4.602,5 mil pessoas, o que corresponde a mais 89,2 mil empregados. O crescimento em relativos foi mais moderado, mais 2% que no trimestre anterior e mais 0,5% em relação ao trimestre homólogo. Na análise em cadeia, em relação aos trimestres anterior, o INE destaca que a evolução da população empregada “contrasta com os decréscimos registados nos últimos três trimestre. No 2º trimestre de 2016, o acréscimo foi e 2%”. No entanto, sublinha que a subida da população com emprego “é comum nos 2º trimestres de cada mês, ainda que com diferentes amplitudes”.

A população empregada aumentou nos dois géneros, mas mais foi mais expressiva nos homens, com um crescimento de 2,6%, com destaque para a subida registada no segmento de pessoas com idade entre 45 e os 64 anos. A taxa de desemprego está contudo quase empatada: 10,8% nos homens e 10,9% nas mulheres.

No que diz respeito à população desempregada — a estimativa é de 559,3 mil pessoas — verificou-se um recuo de 12,6% em relação ao trimestre anterior. Mas também neste indicador, o decréscimo “bastante acentuado” tem ocorrido nos últimos anos. No ano passado, a queda da população desempregada foi de 13% face ao segundo trimestre de 2014.

O Algarve foi a região que registou a maior descida na taxa de desemprego em relação ao trimestre anterior, o que ajuda a explicar a descida sazonal que se verifica neste período, dada importância do turismo e dos serviços complementares na economia desta região que registou a taxa de desemprego mais baixa, 8,1%. O desemprego recuou em quase todas as regiões, com exceção do Alentejo.

Os dados do INE apontam ainda para uma subida muito ligeira da população ativa face ao trimestre anterior, mais 0,2%. No entanto, houve um recuo de 0,8% em relação ao segundo trimestre de 2015, o que corresponde a menos 39,3 mil pessoas.