Durão Barroso

Multiplicam-se as críticas a Barroso e pedidos para perda de privilégios

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Depois da carta de Juncker, agora é um "grupo espontâneo de funcionários das instituições europeias" a pedir aos dirigentes europeus para tomarem uma atitude face à ida de Barroso para o Goldman Sachs

Durão Barroso presidiu à Comissão Europeia entre 2004 e 2014 e foi contratado em julho pelo banco norte-americano

NUNO VEIGA/LUSA

Autor
  • Marlene Carriço

Multiplicam-se as críticas a Durão Barroso e a pressão para o ex-presidente da Comissão Europeia perder privilégios. Agora, e depois da carta do atual presidente Jean-Claude Juncker, foi a vez de um “grupo espontâneo de funcionários das instituições europeias” pedir aos dirigentes europeus para que tomem uma atitude face à “decisão moralmente repreensível” de Barroso ter aceitado funções no Goldman Sachs, escreve o Diário de Notícias. Também esta terça-feira, François Hollande veio dizer que apoia “inteiramente” a iniciativa de submeter a uma comissão de ética a contratação de Durão Barroso pela Goldman Sachs.

Na carta que vai ser dirigida, esta terça-feira, aos presidentes da Comissão Europeia, do Parlamento e do Conselho europeus, e a que o Diário de Notícias teve acesso, estes funcionários criticam o facto de um ex-presidente de uma instituição europeia aceitar trabalhar para um dos bancos mais envolvidos na crise da dívida.

Imediatamente sentimos que este exemplo caricatural – mais um! – da prática da ‘porta giratória’ irá inevitavelmente, e no pior momento, provocar danos no projeto europeu e na imagem das instituições europeias”, lê-se na carta, onde se lê também que se estiver em causa a violação do “princípio da integridade e discrição” relativamente à UE, devem ser tomadas “medidas fortes e exemplares” como a suspensão da sua pensão e de todos os títulos honoríficos.

Uma pensão que, segundo escreve Carlos Segovia, num artigo de opinião no jornal El Mundo, ascende aos 18 mil euros por mês, o equivalente a 70% dos 26 mil euros mensais que auferia enquanto Presidente da instituição europeia. Barroso tem direito a esta pensão vitalícia até completar 65 anos.

O atual Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, também já deu orientações para o ex-primeiro-ministro português e seu antecessor no cargo perder “privilégios de passadeira vermelha”. A notícia foi avançada, no fim de semana, pelo Financial Times, que escreveu que Barroso passará a ser recebido em Bruxelas “não como antigo presidente, mas como representante de um interesse e será sujeito às mesmas regras” que os restantes lobistas.

Além disso, e de acordo com o jornal britânico, Juncker quer pedir novo parecer à comissão de ética da Comissão Europeia sobre o eventual conflito de interesses. E o presidente francês François Hollande já veio dizer, esta terça-feira, que apoia “inteiramente” a iniciativa do presidente da Comissão Europeia de submeter a uma comissão de ética a contratação de Durão Barroso pelo banco norte-americano Goldman Sachs.

Lembre-se que esta comissão já se pronunciou sobre o caso, considerando não estar m causa um conflito de interesses, uma vez que passaram mais de 18 meses desde a saída de Durão Barroso da presidência da Comissão Europeia.

Entretanto têm-se multiplicado outras manifestações públicas de repúdio em relação à ida de Barroso para o Goldman Sachs e a petição lançada a 11 de julho — “Em nosso nome, não!” –, que estará em curso até ao fim de setembro, para que o ex-presidente da Comissão perca privilégios tais como a pensão, conta já com 140 mil assinaturas. O objetivo dos criadores é chegarem às 150 mil.

Durão Barroso presidiu à Comissão Europeia entre 2004 e 2014 e foi contratado em julho pelo banco norte-americano, como conselheiro para as questões ligadas à saída do Reino Unido da União Europeia. A ida de Durão Barroso para a Goldman Sachs International, um dos maiores bancos de investimento do mundo, tem gerado fortes críticas de vários representantes europeus. Pierre Moscovici, comissário europeu dos Assuntos Económicos e Financeiros, por exemplo, deu a entender que Barroso deveria ter feito uma “reflexão política, ética e pessoal” e “pensar na imagem que projeta”.

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