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Ficou célebre enquanto designer da BMW e da Aston Martin, para quem criou modelos como o Z8, o V8 Vantage ou o DB9. Depois, Henrik Fisker decidiu criar uma nova marca com o seu próprio nome, e um modelo eléctrico, o Karma, lançado em 2012.

As coisas não correram, propriamente, pelo melhor, e a Fisker Automotive acabou por abrir falência em 2013. Em 2014, em leilão, os chineses da Wanxiang, propriedade do multimilionário Lu Guanqui, adquiriram os principais activos da empresa (mas não a marca Fisker), renomeado-a Karma e anunciando, para 2017, o lançamento de um híbrido plug-in de luxo sob a designação Revero, mas que não será mais do que uma versão actualizada do Fisker Karma.

Entretanto, o designer e empresário dinamarquês decidiu voltar ao activo. Criou uma nova empresa, a Fisker Inc., e promete lançar, já no segundo semestre de 2017, um novo automóvel eléctrico de luxo, anunciado como o “sucessor espiritual” do Karma. Em declarações à Bloomberg, Fisker referiu ainda que, nos últimos dois anos, tem estado a estudar a tecnologia de baterias actualmente disponível, com o intuito de criar algo, neste particular, que confira à sua nova empresa um novo paradigma, diferente da concorrência. E chega mesmo a assegurar que ninguém está, sequer, perto daquilo que vai ser apresentado.

A par da Fisker Inc., de que Henrik Fisker é o CEO, foi criada igualmente a Fisker Nanotech, sediada na Califórnia, e que terá a seu cargo o desenvolvimento das tais baterias dotadas de uma autonomia e de uma longevidade sem paralelo. Segundo Jack Kavanaugh, presidente da empresa, a tecnologia foi criada por vários professores universitários da UCLA que têm trabalhado no armazenamento energético, integrando lítio, mas sem ter mais nada em comum com as tradicionais baterias de iões de lítio utilizadas pelos concorrentes.

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A confirmarem-se todas as expectativas, estas novas baterias permitirão ao modelo oferecer uma autonomia na casa dos 650 km, prevendo-se ainda possam ter um ciclo de vida equivalente ao do próprio veículo, que deverá ser desenvolvido e produzido na nova fábrica californiana da Fisker. Também é anunciado que terá mais espaço interior, sobretudo para as pernas dos passageiros traseiros, do que qualquer outro automóvel similar actualmente no mercado.

Estilisticamente, Fisker recusa-se a descrever ou a avançar pormenores relativos ao novo modelo, limitando-se a afirmar que será diferente de tudo o resto. Já quanto às baterias, salienta que o seu objectivo último é criar uma tecnologia de tal forma vanguardista que acabe por obrigar outros fabricantes a comprar baterias à Fisker Nanotech.

E, se tudo correr como planeado, dentro de alguns anos a Fisker Inc. poderá lançar um segundo modelo eléctrico mais acessível, proposto por menos de 40 mil dólares (cerca de 36 mil euros), mas com uma autonomia superior à oferecida pelos seus rivais.