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Web Summit

Marcelo trouxe afetos à Web Summit. “Não há nada como a tecnologia para aproximar as pessoas”

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Como habitualmente, o Presidente não recusou selfies e beijinhos. Marcelo conheceu algumas empresas portuguesas e até os estrangeiros quiseram ver o fenómeno. Sobre a CGD, nem uma palavra.

A visita foi rápida, mas houve tempo para uma prova de vinho na banca da Startup Portugal

HUGO AMARAL/OBSERVADOR

Autor
  • João Pedro Pincha

“Marcelo! Marcelo! Marcelo!”

A abordagem é inusitada, mas eficaz. O Presidente já estava a entrar no carro para se ir embora da Web Summit quando João e Ana lhe pediram para tirar uma selfie. Marcelo, claro, acedeu. Mostrou-se sorridente para o telemóvel de Ana, deu-lhe dois beijinhos e apertou a mão de João. A atitude dos dois jovens foi tão inesperada que até mereceu elogios do ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, que depois foi ter com eles junto a uma barraca de sandes de presunto: “Quem tem empreendedorismo, arrisca e consegue!”

A passagem do Presidente da República pela Web Summit foi supersónica e super-mediática. Mesmo os techies e jornalistas estrangeiros que não estão habituados ao fenómeno Marcelo quiseram segui-lo ao verem a excitação com que o chefe de Estado foi recebido por alguns portugueses. O Presidente entrou em passo rápido nos pavilhões da FIL, aproximou-se de três ou quatro bancas de startups nacionais, conversou com os donos, tirou fotografias com eles e não recusou nenhuma selfie que lhe pediram. Chegou mesmo a ser abordado por indianos e cazaques que queriam aproveitar a presença de tantas televisões para ter trinta segundos de fama.

web summit, marcelo rebelo se sousa,

O Presidente andou pelos pavilhões a ser “pitchado” pelos donos de startups portuguesas (Fotografia: HUGO AMARAL/OBSERVADOR)

Antes de provocar uma pequena revolução nos pavilhões da feira, o Presidente esteve num dos locais mais exclusivos da Web Summit, onde nem os jornalistas podem entrar, e geralmente repleto de investidores. “Estamos prontos para explorar as novas paisagens tecnológicas convosco”, disse Marcelo a uma pequena plateia, num discurso de rigorosos três minutos. As três palavras-chave do discurso do chefe de Estado foram “gratidão”, “felicidade” e “crença” no futuro.

Marcelo disse que Portugal não pode passar ao lado do “tsunami civilizacional”, mas alertou que “a tecnologia é apenas um instrumento” e que esta “não pode excluir os mais carenciados”, pelo que é preciso trabalhar para que ela esteja ao serviço das populações. “O tempo está do nosso lado”, concluiu, manifestando-se “esperançoso” que isso vai acontecer nos próximos anos. No fim, agradeceu em nome do povo português e despediu-se. “Até para o ano.”

[vídeo em inglês]

Depois da visita ao certame, Marcelo era um homem feliz. A Web Summit está a ser “um sucesso espetacular. Es-pe-ta-cu-lar”, disse o Presidente, que elogiou a organização por, “em tão pouco tempo”, ter conseguido pôr de pé “uma realidade para milhares e milhares de pessoas.” Marcelo Rebelo de Sousa afirmou ainda que o mundo da tecnologia e das startups tem “muitos afetos, muitos afetos”.

Não há nada como a tecnologia para aproximar as pessoas: cria afeto, desenvolve afeto”

O Presidente da República foi ainda questionado sobre a Caixa Geral de Depósitos, mas optou por não fazer comentários. “Eu sobre matéria de Caixa, o que tinha a dizer está dito. Não vou mudar uma vírgula, o que está dito, está dito. Toda a gente percebeu e é assim que vai ser. Há quem goste, há quem não goste, há quem goste mais, há quem goste menos, mas é assim”, rematou, ao entrar no carro, antes de tirar a última selfie do dia.

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Texto de João Pedro Pincha, fotografia de Hugo Amaral.
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