A portuguesa Sara Maria foi uma das habitantes na Nova Zelândia que decidiu ir hoje para terrenos mais altos depois do tremor de terra, relatando à Lusa a experiência de fugir de casa a meio da noite em busca de segurança. “Agora já estamos todos a acalmar, mas ainda estamos com muito medo do tsunami” que as autoridades ainda consideram que pode acontecer, disse à Lusa Sara Maria, que está em viagem de Wellington para Auckland, grávida e com dois filhos pequenos no carro.

“Acordei a meio da noite com a casa a tremer, agarrei nos miúdos e refugiámo-nos debaixo de uma mesa, mas o ‘shake shake’, como lhe chamam aqui, pareceu interminável e por isso decidi sair da casa, até porque os miúdos estavam muito assustados”, relatou por telefone à Lusa. “Já tinha sentido alguns tremores de terra, mas nada como este, e uma amiga local já me confirmou que este foi o mais intenso sentido em Wellington nos últimos 30 anos”, acrescentou a portuguesa, que vive na Nova Zelândia há cerca de um ano e meio.

Nas quatro horas de viagem que leva, mais ou menos metade do caminho entre Wellington e Auckland, uma cidade mais a norte, Sara Maria diz não ter encontrado sinais do tremor de terra: “Não vi árvores caídas no meio da estrada, nem nada que fizesse lembrar o tremor de terra, mas em Wellington, mesmo ao pé do mar, onde vivo, já me contaram alguns estragos”, diz.

Na sua casa, “mesmo perto do mar”, a estrutura aguentou-se mas o cenário é o tradicional em tremores de terra: “As portas dos armários abriram-se e caiu tudo, pratos, talheres, as molduras das paredes”, o suficiente para decidir agarrar nos dois filhos com menos de 10 anos e fazer-se à estrada em buscar de terreno mais elevado e da segurança de amigos, dada a ausência, em viagem, do marido.

Os residentes nas zonas da Nova Zelândia mais perto do mar foram esta madrugada obrigados a fugir das suas casas no seguimento do tremor de terra de 7,8, que desencadeou um tsunami potencialmente “destruidor”.

O tremor de terra, com epicentro a norte da cidade de Christchurch, foi sentido em todo o país, causando estragos generalizados, e a ameaça de tsunami, para já, ainda está por concretizar, havendo apenas algumas ondas de 2 metros a registar.

As sirenes foram ativadas em todas as cidades costeiras da ilha mais a sul do arquipélago da Noza Zelândia e também nalgumas na ilha a norte, e os polícias e trabalhadores dos serviços de emergência fizeram buscas porta a porta para fazer as pessoas saírem das zonas em perigo.

Num boletim divulgado durante a madrugada, o ministro da defesa civil alerta que são possíveis ondas com até cinco metros de altura, avisando para a possibilidade de um “tsunami destruidor”, já depois de serem vistas ondas com dois metros, que podem ainda intensificar-se e chegar a cinco metros, “um evento que ameaça a vida e de significado nacional”.

O tremor de terra, que foi superficial, ocorreu 90 quilómetros a norte da cidade de Christchurch, na Ilha do Sul, onde um outro sismo de magnitude 6,3 matou 185 pessoas em 2011. O sismo ocorreu às 00h02 de segunda-feira (11h02 de domingo em Lisboa) e foi sentido em quase todo o país. A Nova Zelândia fica situada no “Círculo de Fogo do Pacífico” um arco de falhas sísmicas no Oceano Pacífico, onde são comuns os tremores de terra.