O chefe da diplomacia portuguesa falou esta terça-feira à noite na sessão de encerramento da conferência internacional “30 anos de adesão – Luzes e Sombras da União Europeia”, uma iniciativa do Instituto Europeu da Faculdade de Direito de Lisboa, que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

“Proponho um exercício sobre as nossas próprias responsabilidades hoje na Europa, não podemos continuar numa atitude de paralisia ou ficar-nos apenas pela reflexões ou pelos lamentos”, disse o ministro, depois de sublinhar que o projeto de construção europeia resultou no mais longo período de paz e crescimento económico na Europa e que também o balanço dos 30 anos de integração de Portugal é positivo.

“[As três últimas décadas] representam o mais longo período de democracia e prosperidade no país”, sustentou Santos Silva, acrescentando que “a alteração é, qualitativamente, impressionante”.

Para exemplificar, referiu um estudo do Instituto Nacional de Estatística (INE), segundo o qual desde 1986, “o Produto Interno Bruto per capita triplicou, a mortalidade infantil é cinco vezes menor, o abandono escolar precoce caiu para um terço e o número de cidadãos com pelo menos o ensino secundário na população ativa mais que duplicou”.

Voltando à atualidade, o MNE frisou que “a situação da União Europeia pode ser caracterizada de três formas: em primeiro lugar, há nas representações no espaço público uma atmosfera que se parece perigosamente com a atmosfera política dos anos 1930, do período entre guerras na Europa, e não podemos ignorá-lo”.

Em segundo lugar, prosseguiu, há “uma sequência política no contexto europeu, começando daqui a três semanas, de resultados muito incertos”.

“Teremos, sucessivamente, a repetição das eleições presidenciais austríacas, o referendo na Itália, as eleições na Holanda, as presidenciais em França, os desenvolvimentos do processo do ‘Brexit’ – a ativação formal do pedido de saída do Reino Unido da UE – e tudo isto culminará nas eleições legislativas de setembro próximo na Alemanha”, enumerou, acrescentando que será “um ano político muito intenso”.

Em terceiro lugar, apontou “sinais muito preocupantes e contraditórios entre si relativamente aos mercados globais, sejam os mercados financeiros e de capitais, sejam mesmo os mercados de bens e serviços e o comércio internacional”.

“[Por todas estas razões] temos muitas decisões a tomar durante esse ano, temos muitos prazos a correr e, portanto, não podemos ter, perante esse ano de incerteza política, uma reação semelhante àquela que costumamos ter no mar, quando vem uma onda grande, aninhando-nos e esperando que passe”, observou.