O Vodafone Mexefest está prestes a começar e, com a edição deste ano, chega também o Vodafone Cuckoo. A novidade, que pode ser apreciada por todos os que passarem junto ao Coliseu na rua das portas de Santo Antão, é um acontecimento marcado pela sua natureza.

Trata-se de uma série de quatro performances, sempre à hora certa, que trazem os sons da mais recente música nacional em ritmo cadenciado, inspirado nos antigos relógios de cuco. À hora marcada, podemos ouvir o canto dos artistas que surgem à varanda da emblemática sala de espetáculos.

O Vodafone Cuckoo decorre durante os dois dias do Vodafone Mexefest, a 25 e 26 de novembro, às 20h00 e às 22h00 horas. Estas são noites já de si promissoras no que respeita à sala lisboeta, já que o palco do Coliseu dos Recreios vai receber, integrado no Festival Vodafone Mexefest, os NAO (Neo Jessica Joshua) e Jagwar Ma, na sexta-feira 25, ficando o dia seguinte reservado para a música de Elza Soares, Gallant e Branko.

Um cuckoo a cantar

Por isso, o Vodafone Cuckoo pretende contribuir para aquecer ainda mais no ambiente do festival com música de bandas portuguesas em jeito de oferta para quem quiser ouvi-las, simplesmente porque está de passagem pela rua das Portas de Santo Antão, porque é fã de uma destas bandas ou porque anda nas redondezas para assistir a algum dos concertos que aí vão decorrer.

Mesmo sem pulseira do festival, se quiser ouvir as sonoridades de Moullinex, Da Chick ou dos Capitão Fausto, basta aproximar-se da varanda central do Coliseu e ter o relógio certo, ou, para evitar anacronismos, o smartphone no bolso.

Mas o mais importante a reter é isto: se não quiser perder a experiência única destas verdadeiras performances, basta atentar às horas, como no tal relógio de cuco que, à hora marcada, ecoa para mais um Vodafone Cuckoo, ficando o aviso de que se aproxima a chegada de um músico para atuação exclusiva. E a varanda do Coliseu é já mais um espaço do Festival Vodafone Mexefest.

Moullinex e Da Chick O’clock

Quanto ao cartaz Vodafone Cuckoo, a programação agendou dois concertos para o primeiro dia do festival, sexta-feira, às 20h00 e às 22h00, sendo as sessões animadas por Moullinex e Da Chick. Esta é uma oportunidade única para conhecer melhor as sonoridades do DJ e músico Luís Clara Gomes que dá pelo nome de Moullinex.

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Segundo a definição do próprio, aquilo que faz «não é música de dança. É apenas música». Apesar da sua intensa atividade na cena musical, uma verdadeira máquina, o viseense Luís Clara Gomes diz ser, «muito mais do que uma mera máquina de fazer dançar.

Não que não seja bom a pôr pessoas a abanar, é só que se move igualmente bem entre vários géneros e ambientes, sejam eles a pista, o sofá ou a rua».

No entanto, é mesmo um nome de máquina, mais precisamente de eletrodométisco, que o artista elegeu em 2010: «Na altura, tinha que entregar [uma remistura de Vicious Five] com um nome e, uma vez que tinha samplado uma 1 2 3, que faz aquele barulho “tzzzzzz”, achei que era um excelente nome artístico!».

Além da música tocada, Luís continua a ser requisitado para atuar em clubes e festivais, também como DJ. Independentemente do que faça, Moullinex tenta trazer o seu cunho pessoal à coisa. Para confirmar, é só ouvir Elsewhere ou estar presente quando o Vodafone Cuckoo soar.

Se assim fizer, estará também mais perto de ouvir Da Chick, a rapariga propulsada a funky que gostaria de viver em Nova Iorque. Foi o primeiro álbum de Teresa Freitas de Sousa que a lançou para a cena musical, com o álbum Chick To Chick, que tem dado que falar nas pistas de dança.

Porém, a música de Da Chick é muito mais do que um ritmo dançante pois, segundo a própria, «há um lado mais negro» que irrompe na sua música.

A carreira começou em 2009, mas a ligação à música é de sempre, desde «o mundo MTV ou VH1, desde pequena» e, quando fez a primeira música, lembrou-se que «precisava de um nome para por no Myspace.

Assim surgiu «Da Chick», depois de «Death Proof» se tornar num dos seus filmes preferidos, com «Chick Habbit» na banda sonora. E assim ficou até hoje. O que nos espera na varanda do Coliseu será certamente esse «lado mais jazzy, e mais soul», dado que Teresa decidiu «trazer esse lado cá para fora e mostrar que Da Chick não é só música de dança, e que nem sempre aborda temas “contentes e alegres”». Quando o Vodafone Cuckoo soar, poderemos então escutar e… talvez dançar.

Está certo, Capitão Fausto

No dia seguinte, os dois encontros à hora certa ficam a cargo do quinteto lisboeta Capitão Fausto que sobe à varanda do Coliseu no mesmo horário, para uma espécie de première, antes da estreia, já anunciada para dezembro, no palco do Coliseu de Lisboa.

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Capitão Fausto / OBSERVADOR

Da varanda para o palco, o Vodafone Cuckoo será assim uma antecâmara reveladora do que já não é propriamente segredo, uma sonoridade fácil mas não simplista que começa por causar estranheza pela língua em que é cantada, mas que depois ganha corpo e parece simplesmente natural, como as coisas que devem ser feitas.

Capitão Fausto é, pois, uma banda portuguesa composta por Domingos Coimbra, Francisco Ferreira, Manuel Palha, Salvador Seabra e Tomás Wallenstein, que apresenta uma mistura de pop progressiva com laivos psicadélicos.

Onde encaixaria a língua de Camões? Pois, não é propriamente camoniana a prosa das músicas, mas serve como uma luva a esta sonoridade pop que lembra os idos Happy Mondays em versão easy listening.

Em 2011, o grupo editou «Gazela», o álbum de estreia, que teve no single «Teresa» um dos pontos mais altos. Com os dois álbuns seguintes, Pesar o Sol e, principalmente, Têm os Dias Contados, de onde foram extraídos singles como Morro na praia ou Amanhã tou melhor, chegaram ao ponto de rebuçado, ou seja, ao momento de passar da varanda do Coliseu para o palco principal.

Vê-los agora, no Vodafone Cuckoo, pode ser uma experiência intimista que dificilmente se repetirá. A hora está marcada. Fique atento ao Vodafone Cuckoo.

E porque os momentos inusitados fazem parte do ADN do festival, este ano haverá, além do Vodafone Cuckoo, os Concertos Surpresa e as sessões de leitura, as Vodafone Vozes da Escrita, que tornam a experiência ainda mais surpreendente e inesquecível.