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Boavista Sporting Bessa. Façamos um hashtag nestas três palavras. Um # dois # e três #. E é todo um mundo novo para explorar. O Boavista-Sporting é como se fosse um clássico tal a intensidade dos jogos mais a faísca e ainda a espantosa superioridade boavisteira – nos 51 jogos para o campeonato no Bessa, o Sporting está em desvantagem nas vitórias (11-22) e nos golos (66-60). Esta tarde, às 18h15 na SportTV 1, mais um capítulo na infinita rivalidade.

Atrasemos o relógio até 1976, pior ano do Sporting até então com o 5.º lugar do campeonato. É a primeira época de Manuel Fernandes (26 golos em 29 jornadas) e a única de Jorge Jesus. À entrada para a 30ª e última jornada, o Sporting sabe da necessidade de um empate no Bessa para garantir o quarto lugar e por consequência a Taça UEFA. Tal não sucede porque o Sporting anda sem rei nem roque. Conta-nos Tomé, lateral-direito dos leões. “Não só perdemos por 3-1 como o FC Porto foi ganhar 3-2 à Luz, a perder 2-0 ao intervalo [é Júlio quem empurra o Sporting para o 5.o lugar aos 88’].” Quer isso dizer, o FCP faz 39 pontos e o SCP mantém os 38. Nesse 3-1, o Boavista abre vantagem pelo luvas pretas João Alves (21’). Salvador (47’) e Francisco Mário (50’) prolongam o estado de (des)graça – depende do ponto de vista. O Sporting reduz aos 87’, por Chico Faria.

Avancemos no tempo. É um dos maiores borregos do futebol português. O que é um borrego? É um substantivo. E um animal, claro. Bor-re-go tanto é um carneiro até um ano de idade como uma pessoa excessivamente boa e pacífica, ou ainda um animal muito manso. Na gíria futebolística diz-se “matar o borrego” quando uma equipa ganha a uma outra não-sei-quantos-anos-depois. Acontece com o Sporting no Bessa (desde 1969 a 1990). Nesse período, o Sporting perde 11 vezes e empata 10. Antes deste outubro de 1990, a última vitória leonina é de Dezembro de 1959: um 5-2, com 5-0 aos 44’. O borrego é cozinhado por Careca, Cadete e Filipe.

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Avancemos no tempo, desta vez só um ano. Com 20 anos de idade, JVP engana Ivkovic aos 23 e aos 32 minutos. Pelo meio, Balakov faz 1-1 aos 29’, num jogo com dois leões expulsos por duplo amarelo pelo árbitro Carlos Valente: Peixe 59’ e Cadete 85’. “Este miúdo não vai ficar por aqui”, profetiza o treinador Manuel José na noite em que o Boavista ultrapassa o Sporting no quarto lugar. E não é que o homem tem razão? João Pinto parte aí para a caça (irresistível) ao leão, que inclui hat-trick em Alvalade no 6-3 do Benfica. É o menino de ouro, o quarto melhor marcador nacional de sempre vs. Sporting, atrás de Nené (17), Valadas (20) e Eusébio (27). JVP tem quantos? Calma, muita calma.

Paremos no tempo. O Sporting está a jogar no Bessa e está um-um. Ao penálti de Jardel (45’), responde Martelinho (70’) a aproveitar um clamoroso erro de Contreras. É então que Laszlo Bölöni faz entrar Cristiano Ronaldo para o lugar de Ricardo Quaresma, aos 81 minutos. No instante seguinte, Beto vê o amarelo por derubar Cafú. Aos 85’, o mesmo Éder impede um golo de Beto na linha. Aos 87’, Jardel atira à figura de Ricardo. O 1-1 afigura-se como provável. Mas não. Carlos Martins descobre Ronaldo e o número 28 bate Ricardo. O Sporting ganha 2-1 e ultrapassa o Benfica para se fixar no terceiro lugar, a dois pontos do FCP. Estamos em Outubro de 2002 e Ronaldo nunca mais iria dar o ar de sua graça. No Bessa, claro está.

Avancemos no tempo. Lembra-se daquela dica de outubro de 1991? Pois bem, se pensa que a conta de JVP está fechada nos dez golos ao Sporting, vem aí um de brinde. Para completar o círculo da vida, pelo Boavista. No Bessa, claro. O Sporting ganha 2-0, golos de Nani (21’) e Liedson (24’). Na segunda parte, o Boavista de Carlos Brito reage. JVP reduz aos 46’ e William Souza empata aos 55’. # a tudo isso e ainda ao jogo de hoje.