Donald Trump quer cancelar a encomenda de dois novos aviões presidenciais — os Air Force One — à Boeing, para poupar quatro mil milhões de dólares. “Os custos estão fora de controlo”, escreveu no Twitter, acrescentando: “Cancelem a ordem!”

Já depois desta declaração no Twitter, Trump tornou a sublinhar aos jornalistas que “vão ser gastos mais de quatro mil milhões de dólares com o programa de renovação do Air Force One”. “Penso que é ridículo, e que a Boeing está a fazer um número. Queremos que a Boeing ganhe muito dinheiro, mas não assim tanto”, disse o presidente eleito dos EUA.

A Boeing está responsável por um programa de estudo das fragilidades do icónico avião que transporta o presidente dos EUA, para redesenhar a aeronave para os próximos presidentes. Segundo um comunicado da empresa, emitido depois das declarações de Trump, o contrato entre a Casa Branca e a Boeing, estabelecido ainda na administração de Obama, tem na verdade um valor de 170 milhões de dólares. Este valor apenas para a primeira fase do programa, já que o orçamento de produção dos aviões será de cerca de 1,5 mil milhões de dólares, valores bem abaixo dos quatro mil milhões referidos por Trump.

Os valores nesta história são tudo menos consistentes, já que Trump não explica em que se baseou para chegar aos quatro mil milhões. Segundo informações oficiais referidas pelo The New York Times, a Força Aérea estava a prever gastar 2,7 mil milhões de dólares nos próximos cinco anos no programa do Air Force One, incluindo nos estudos preliminares e na aquisição dos dois aviões.

A própria Casa Branca já veio desmentir os valores apresentados por Trump. O assessor de imprensa de Washington, Josh Earnest, disse que “algumas das estatísticas que têm sido citadas — como dizer… — não refletem a natureza do acordo financeiro entre a Boeing e o Departamento da Defesa”.

O que é certo é que ainda só está assinada a primeira parte do contrato — a tal dos 170 milhões, referente apenas aos estudos sobre as fragilidades –, pelo que a qualquer momento a Casa Branca pode recuar a qualquer momento, não avançando com a encomenda dos dois aviões.

Apesar da intenção de Trump de cancelar a encomenda, a Boeing garante que quer “continuar a trabalhar com a Força Aérea dos EUA nas próximas fases do programa”, com o objetivo de produzir “os melhores aviões para o presidente com o menor custo para o contribuinte americano”. Os dois aviões que a Boeing está responsável por produzir ainda não estão a ser construídos. A cumprir-se o programa estabelecido, a entrada das aeronaves ao serviço aconteceria apenas em 2024.