Pouco mais de um ano após a Netflix ter chegado a Portugal, está disponível no nosso país o Amazon Prime Video, a plataforma de streaming do gigante das compras online. Com isso, algumas das séries originais e exclusivas do serviço estão finalmente entre nós. Apesar de algumas falhas gritantes – por exemplo, “One Mississippi”, a sitcom da brilhante cómica Tig Notaro, não se encontra em lado nenhum, e por enquanto só há duas temporadas de Transparent, a terceira temporada passou no TVSéries – e de a lista de conteúdos não ser propriamente extensa, há muito de bom para ver, sejam as temporadas todas de “Seinfeld”, a última de “Community”, que só passou no serviço Yahoo! Screen, ou “Pootie Tang”, o clássico filme altamente defeituoso mas algo brilhante e incompreendido realizado por Louis C.K. em 2001. Deixamos cinco sugestões que já estão disponíveis e cinco outras que aí vêm.

The Man In The High Castle

Inspirado em “O Homem do Castelo Alto”, livro que Philip K. Dick lançou em 1962, esta série imagina uma realidade alternativa em que os nazis e os japoneses ganharam a Segunda Grande Guerra. Passa-se no mesmo ano em que o livro saiu e a história foi adaptada para o formato televisivo por Frank Spotnitz, que escreveu para “X-Files”, “Millennium” ou “The Lone Gunmen”, bem como outras séries como “Strike Back”, “Hunted”, “Transporter” ou “Crossing Lines”. A segunda temporada estreia-se este sábado.

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Hand of God

Cancelada em setembro ao fim de duas épocas, esta série conta com Ron Perlman no papel principal — o mesmo que foi um homem pré-histórico em “A Guerra do Fogo”, o feio da série “A Bela e o Monstro”, “Hellboy” e, mais recentemente, um dos motoqueiros de “Sons of Anarchy”. O ator interpreta um juiz que não é propriamente recomendável a nível moral e que está convencido que Deus o pôs a fazer justiça pelas próprias mãos. A série foi criada por Ben Watkins, que antes disto só escrito para “Espião Fora-de-Jogo” e, mesmo que a trama não lhe desperte curiosidade, lembre-se do quanto Perlman melhora tudo aquilo em que aparece.

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Red Oaks

Com produção executiva dos realizadores Steven Soderbergh e David Gordon Green – que dirigiu o piloto –, esta série cómica passa-se nos anos 1980, centrada num estudante que trabalha como tenista num country club de prestígio durante as férias de verão entre o primeiro e o segundo ano da faculdade. É uma criação de Gregory Jacobs, colaborador assíduo de Soderbergh e que realizou filmes como “Criminal” ou o clássico moderno “Magic Mike XXL”.

Bosch

Titus Welliver faz cinema e televisão desde 1990 e é muito possível que já o tenha visto em séries como “Deadwood” ou filmes que vão de “Air Force One” a “The Doors”. Mas o ator é provavelmente mais recordado como o Homem de Preto de “Perdidos”. No policial “Bosch”, série baseada nos livros de Michael Connelly, Welliver faz de detetive da polícia de Los Angeles. A adaptação está a cargo de Eric Overmyer, que trabalhou em clássicos da televisão como “St. Elsewhere”, “Departamento de Homicídios”, “Lei & Ordem”, “The Wire” e “Treme” – como se nota pelo currículo, é alguém que percebe mesmo de ficção sobre crime.

Mozart in the Jungle

Apesar de já estar disponível nos Estados Unidos, a terceira época desta série sobre o mundo das orquestras de Nova Iorque (com Gael García Bernal, Lola Kirke, Bernadette Peters, Saffron Burrows ou Malcolm McDowell) ainda não se pode ver entre nós. Uma das nomeadas para Melhor Série Cómica ou Musical nos Globos de Ouro 2017 — e Bernal também estar na competição por uma estatueta –, é baseada no livro de memórias homónimo da tocadora de oboé Blair Tindall. Tem quatro criadores: Roman Coppola (irmão de Sofia e filho de Francis Ford), Jason Schwartzman, (primo de Roman), Paul Weitz (co-autor, com o irmão Chris, da saga “American Pie”, além de realizador de filmes como o recente Grandma) e Alex Timbers, o dramaturgo e encenador nomeado para os prémios Tony.

Danger & Eggs

Todos os anos, a Amazon faz vários pilotos que podem ser transformados em série — tudo depende da votação do público. “Danger & Eggs” foi um desses pilotos. Apresentado em 2015 (está disponível para quem tem registo através do site normal da Amazon), está neste momento a ser transformado em série. Com a voz de Aidy Bryant, de “Saturday Night Live”, é uma animação cómica e excêntrica centrada em D.D. Danger, uma rapariga com um melhor amigo que é um ovo. É uma produção da Puny Entertainment, um estúdio de animação que foi há pouco tempo comprado pelo cómico e apresentador Chris Hardwick e que esteve envolvido na bizarria para crianças que era “Yo Gabba Gabba”. A série foi criada por Shadi Petosky, fundadora do estúdio, e Mike Owens, que trabalhou em “Animaniacs”, por exemplo.

Ronja the Robber’s Daughter

A primeira série de televisão do Studio Ghibli, o mítico estúdio de animação japonês fundado por Hayao Miyazaki e Isao Takahata, já existe desde 2014, mas o que chegará à Amazon em Janeiro é a versão americana, narrada por Gillian Anderson, a Scully de “X-Files”. Esta série animada é baseada num livro de 1981 da autora para crianças sueca Astrid Lindgren, a mesma de “Pipi das Meias Altas”.

I Love Dick

A partir do romance epistolar e autobiográfico com o mesmo nome lançado pela autora Chris Kraus em 1997, um badalado livro feminista que parte da obsessão por um académico, a dramaturga Sarah Gubbins criou esta série com a ajuda na escrita, produção e realização de Jill Soloway, a criadora de “Transparent”. No elenco, o icónico Kevin Bacon é o Dick do título, e Kathryn Hahn é a protagonista que escreve as cartas. Griffin Dunne ocupa o papel do seu marido e há ainda gente como a humorista Phoebe Robinson, entre outros nomes. Foi um dos pilotos bem sucedidos deste ano, ao lado de “The Tick” e “Jean-Claude Van Johnson”.

Jean-Claude Van Johnson

Jean-Claude Van Damme não é avesso a projetos meta-referenciais, como se provou em “JCVD”, filme de 2008. Nesta série criada por Dave Callaham, que escreveu o primeiro filme da saga “Os Mercenários”, Van Damme, no papel dele próprio, sai da reforma para voltar a ser Jean-Claude Van Johnson, um mercenário a soldo de quem pagar. O primeiro episódio foi realizado por Peter Atencio, que provou, ao longo das primeiras épocas do programa de sketches “Key & Peele” e no filme “Keanu”, ser dos melhores realizadores de comédia da atualidade.

Z: The Beginning of Everything

Com Christina Ricci no papel de Zelda Sayre, a torturada socialite e escritora americana que ficou conhecida para a posteridade como Zelda Fitzgerald, apelido que ganhou quando casou com F. Scott Fitzgerald, e cuja contribuição para a obra do marido e a pouca obra sozinha que deixou tem vindo, depois de anos a ser desvalorizada, a ser reavaliada. Baseada num livro biográfico de Therese Anne Fowler, a série foi criada por Nicole Yorkin e Dawn Prestwich (“Picket Fences”, “Carnivàle”, “The Riches” ou “Flashforward”). Estreia-se em Janeiro. Não é a única série relacionada com F. Scott Fitzgerald: vem aí também uma adaptação de O Último Magnate, a obra inacabada do autor, baseada nos seus tempos passados em Hollywood, com Matt Bomer e Kelsey Grammer no elenco.