Há três anos foi notícia por se ter tornado a primeira mulher a poder pilotar um avião da força área do Afeganistão, mas Niloofar Rahmani, que tem agora 25 anos, pediu esta semana asilo aos Estados Unidos depois de ter passado 15 meses no sul do país em treinos militares. Já não se sente segura num país que gostava de ajudar a mudar.

Numa entrevista à CNN, Rahmani diz que o seu papel como símbolo da emancipação feminina se tornou uma afronta à ordem estabelecida numa sociedade patriarcal e bastante conservadora onde existe, “uma guerra, violência e descriminação contra as mulheres”.

Niloofar Rahmani, que já conseguiu alcunha de “Top Gun do Afeganistão”, disse que não regressaria ao seu país por temer pela sua segurança levando a uma tempestade de críticas por parte daqueles que acham que ela está a abandonar o país mas também a uma onda de apoio por parte de ativistas que se opõem às restrições ainda impostas à vida das mulheres do Afeganistão.

Rahmani disse também que os seus objetivos, ao se tornar piloto, eram tanto o de “honrar um sonho antigo do pai” como o de “provar ao mundo que as mulheres no Afeganistão podem exercer qualquer profissão que um homem também possa”. A advogada que está a tratar do seu processo de asilo disse que Rahmani é “uma luz na luta pelos direitos das mulheres, dos imigrantes e dos muçulmanos por todo o mundo”.

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A jovem piloto dedicou toda a sua ainda curta carreira a lutar contra a insurgência terrorista no país, tendo recebido ameaças de morte dos talibã paquistaneses, os mesmos que, em 2012, tentaram matar Malala Yousafzai enquanto a jovem, hoje Nobel da Paz, se dirigia à escola. Em 2015, Rahmani foi distinguida com o prémio Mulheres de Coragem. Na altura, Michelle Obama, disse: “Ela continua a voar, independentemente das ameaças à sua vida enviadas pelos talibã e até pela sua família alargada”.

No passado dia 17, quando cinco mulheres foram mortas no aeroporto de Kandahar, no sul do Afeganistão, Rahmani teve a certeza de que as coisas “só estão a ficar pior e pior”. Em declarações ao diário norte-americano New York Times, Rahmani disse ter ficado horrorizada quando alguns membros da elite política afegã disseram que “as mulheres teriam sido poupadas se tivessem ficado em casa”.