A chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, foi esta sexta-feira interrompida durante o seu discurso no parlamento da Sérvia por deputados ultranacionalistas, que exibiram cartazes contra Bruxelas e entoaram cânticos pró-russos.

O discurso de 25 minutos de Mogherini, que efetuou esta sexta-feira uma vista oficial a Belgrado e exortou o país a prosseguir o seu caminho no processo de integração europeia, foi interrompido por diversas vezes por deputados que gritavam “Sérvia, Rússia, não precisamos da União Europeia“, enquanto outros, em silêncio, exibiam cartazes em sérvio e inglês com a frase “A Sérvia não confia em Bruxelas“.

O protesto mais ruidoso foi organizado pelos parlamentares do Partido Radical Sérvio (SRS, ultranacionalista) de Vojislav Seselj, que comandou o “boicote” desde a sua bancada, com constantes interrupções ao discurso da Alta representante para a política externa e de segurança, e vice-presidente da Comissão europeia. Já os deputados do Movimento Sérvio Dveri (direita conservadora) limitaram-se a exibir os cartazes.

Na sessão parlamentar, à qual assistiu o primeiro-ministro sérvio Aleksandar Vucic, Mogherini disse aos deputados que a Sérvia desempenha uma função crucial nos Balcãs e mantém “grande responsabilidade” em manter a paz regional.

A responsável italiana disse ainda que a Sérvia, os Balcãs ocidentais e a União Europeia não mutuamente dependentes, uma interconexão particularmente importante no que definiu como um momento “delicado” de insegurança e tensões na região, e na Europa no seu conjunto.

“Têm uma grande responsabilidade”, disse Mogherini. “A Sérvia sempre esteve na encruzilhada de mundos diferentes“, acrescentou.

Mogherini efetua um périplo pelos Balcãs que se iniciou no Montenegro e terminará na Albânia, numa tentativa em assegurar à região que a União Europeia permanece empenhada no alargamento, apesar da crise no bloco comunitário.

Quinta-feira, em Skopje, pediu expressamente ao Presidente da Macedónia (FYROM) para fornecer um mandato à oposição de esquerda para formar um novo governo.

A longa crise política na macedónia, sem um vencedor categórico nas legislativas de dezembro, agravou-se na quarta-feira com a recusa do Presidente conservador Gjorge Ivanov em fornecer um mandato à oposição para formar um novo executivo.

O líder do partido social-democrata na oposição, Zoran Zaev, apresentou na segunda-feira, após semanas de negociações com o principal partido albanês (DIU), as assinaturas de apoio de 67 deputados (num total de 120) para a constituição de um novo governo.