A história tratou de o explicar, uma e oura vez: sem Chuck Berry não havia rock’n’roll, ou então havia outro, com tiques e manias diferentes. E Chuck sabia-o, era ego justificado, orgulho com toda a legitimidade. Recordemos: “Maybellene”, aquele blues danado por acelerar num Cadillac, é de 1955. Aos 90 anos, preparava um novo álbum com o título Chuck. Não seria uma despedida consentida mas Berry saberia que o fim havia de chegar. “Big Boys” é o tema que apresenta o disco e que ninguém estranhe a óbvia referência a “Johnny B. Goode”:

Chuck, que é editado a 16 de junho, terá dez canções e oito delas são originais. Será o primeiro álbum com a assinatura de Chuck Berry desde 1979, ano em que lançou Rock it (ainda que o último concerto do músico americano tenha acontecido a 15 de outubro de 2014). O álbum reúne material gravado entre 1991 e 2014, mas algumas das canções foram escritas ainda na década de 80. Como Jimmy Marsala, colaborador de muitos anos de Chuck Berry, recordou à Rolling Stone, “ele andava sempre com papel e caneta”, para tomar nota das ideias que ia colecionando. Ao mesmo tempo, aprendeu a trabalhar com o ProTools, o software de gravação em estúdio mais popular.

Os filhos de Chuck, Charles e Ingrid, integraram a banda que gravou o álbum, o primeiro na guitarra, a segunda na harmónica. Jimmy Marsala no baixo, Bob Lohr no piano e Keith Robinson na bateria foram os restantes músicos em estúdio. E foi aos filhos e à mulher, Themetta Berry (com quem esteve casado durante 68 anos), que o guitarrista e cantor tinha já dedicado este novo conjunto de canções.

São estes os temas que compõem o alinhamento de Chuck:

“Wonderful Woman”
“Big Boys”
“You Go To My Head”
“3/4 Time (Enchiladas)”
“Darlin’”
“Lady B. Goode” – esta é uma reinterpretação do clássico “John B. Goode”
“She Still Loves You”
“Jamaica Moon” – uma outra forma de tocar e interpretar o clássico “Havana Moon”
“Dutchman”
“Eyes of Man”