O julgamento de Francisco Leitão, conhecido como ‘Rei Ghob’, prosseguiu esta segunda-feira no tribunal de Loures com a inquirição de três alegadas vítimas e de familiares, disse à agência Lusa fonte judicial. As sessões deste julgamento decorrem no tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Norte, em Loures, à porta fechado por envolver menores de idade.

De acordo com a acusação do Ministério Público, Francisco Leitão está a ser julgado por 542 crimes de violação, seis de pornografia de menores e ainda um crime de ameaça agravada, ofensa à integridade física qualificada e devassa da vida privada.

Os crimes remontam a factos ocorridos entre 2009 e 19 de julho de 2010, data em que foi detido pela Polícia Judiciária por ser o principal suspeito do homicídio de três jovens, crimes pelos quais, em 2012, foi condenado a 25 anos de prisão.

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Durante esta segunda-feira decorreu a segunda sessão deste julgamento, durante a qual o coletivo de juízes inquiriu três alegadas vítimas de Francisco Leitão e três familiares, segundo adiantou à agência Lusa fonte judicial. A mesma fonte acrescentou que na próxima sessão, agendada para 12 de junho, serão ouvidos as últimas quatro alegadas vítimas do ‘rei Ghob’.

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Francisco Leitão, sucateiro de profissão, convivia com vários jovens, na altura com idades entre os 14 e os 17 anos, fazendo-se passar pelo amigo que os levava a passear, pagava jantares ou bebidas e oferecia-lhes telemóveis.

Dizia ter poderes sobrenaturais e quando ganhava a sua confiança e sabia que estariam convictos dos seus poderes, levava os jovens para a sua casa, na Carqueja, Lourinhã, onde os amedrontava incorporando “entidades” sobrenaturais ou dizendo que vinha a mando delas informá-los de que eles ou seus familiares corriam perigo de morte.

Para evitar as consequências, teriam de se sujeitar a “injeções de energia”, que, como descreve a acusação, seriam transmitidas do corpo do arguido para o corpo da vítima sob a forma de relações sexuais.

As queixas chegaram ao MP ainda em 2009, mas o inquérito veio a ser arquivado.

Contudo, o processo foi reaberto na sequência de buscas domiciliárias da PJ e de novas denúncias no período em que o arguido esteve a ser investigado pela morte de três jovens.