O concerto de beneficência One Love Manchester, que homenageou as vítimas do atentado de 22 de maio em Manchester, foi seguido em direto por milhões de pessoas em todo o mundo, através da Internet e de canais de televisão. Começou às 19h00 deste domingo, com a atuação de Marcus Mumford, e terminou pouco depois das 22h00, com o tema “Over the Rainbow”.

Ariana Grande entrou em palco às 19h58 e começou por cantar “Be Alright”. O espetáculo reunia diversos intérpretes e grupos, mas a cantora norte-americana, de 23 anos, era o nome principal – por ter sido imediatamente a seguir ao concerto dela na Manchester Arena, a 22 de maio, que aconteceu o ataque bombista que tirou a vida a 22 pessoas.

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Camisola branca larga, com o título do concerto escrito a encarnado, calças de ganga e botas pretas de salto alto, Ariana Grande falou diversas vezes em “amor” e “união”, num discurso nem sempre explícito sobre os motivos que a tinham levado ali. Em termos musicais, dois momentos se destacaram: os duetos de Ariana Grande com Black Eyed Peas e com Miley Cyrus.

A iniciativa decorreu no estádio de Old Trafford, em Manchester, Inglaterra, a cerca de três quilómetros do local do atentado. Em certos momentos, fez lembrar o espírito e a dimensão do Live Aid de 1985, concerto organizado por Bob Geldof e Midge Ure que teve cobertura televisiva à escala mundial.

One Love Manchester foi transmitido em direto na Internet por doze plataformas: BBC, ABC, Apple Music, Bell Media, Facebook, Free Form, iHeart Media, MTV, Rogers, TMC, Twitter e You Tube. E ainda por vários canais televisivos com cobertura em mais de 30 países. Em Portugal, a RTP1 fez uma emissão especial, com comentários do jornalista Nuno Galopim e da apresentadora Filomena Cautela.

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Quando faltavam dez minutos para o espetáculo começar, havia cerca de 46 mil pessoas ligados ao canal de YouTube que assegurava o direto. Às 19h00 eram 140 mil. No Facebook, o momento em que Ariana Grande entrou em palco registou a extraordinária audiência de mais de 400 milhões de espectadores.

Antes de Ariana Grande, atuaram Take That, Robbie Williams, Pharell Williams, Miley Cyrus e Niall Horan. Gary Barlow, vocalista dos Take That, anunciou que 60 mil pessoas estavam presentes no estádio. As imagens permitiam ver gente de todas as idades, mas sobretudo adolescentes, que são os principais seguidores da carreira de Ariana Grande. O propósito grave do espetáculo não impediu um ambiente festivo de celebração de êxitos pop.

Robbie Williams apresentou duas canções, “Strong” e “Angels”, adaptando a letra da primeira para incluir a palavra Manchester: “Manchester we are strong”, cantou. Pharell Williams disse-se solidário com os pais que perderam os filhos no atentado. Miley Cyrus quis destacar que “o nosso propósito neste planeta é o de cuidarmos uns dos outros” e deixou a ideia de que este espetáculo possa tornar-se anual.

Mais de 510 milhões de visualizações em direto no Facebook registaram-se quando, às 20h20, Ariana Grande fez um dueto com Black Eyed Peas, no tema “Where is the Love”. Cerca de 514 milhões, às 20h48, viram o dueto de Ariana Grande com Miley Cyrus, no clássico “Don’t Dream It’s Over”, gravado em 1986 pela banda australiana Crowded House.

Justin Bieber, pelas 21h05, apresentou-se sozinho no palco e cantou à guitarra “Love Yourself” e “Cold Water”, deixando a mensagem de que “o amor vence sempre”. Katy Perry, Coldplay e Noel Gallagher foram outros do nomes presentes, este último em aparição-surpresa.

A receita de bilheteira do espetáculo, segundo os organizadores, reverte a favor do fundo We Love Manchester, gerido pela Cruz Vermelha britânica, cujo objetivo é o de ajudar as famílias das vítimas do atentado de 22 de maio. Morreram 22 pessoas, muitas delas crianças, e várias dezenas ficaram feridas.

A fechar, Ariana Grande cantou o tema que a tornou famosa, “One Last Time”, e ainda “Over The Raibow”, do filme O Feiticeiro de Oz.