Rádio Observador

Banco Popular

Quando Américo Amorim era um dos maiores acionistas do Popular

O empresário português tornou-se o maior acionista individual do Banco Popular no início da década passada, quando vendeu o Banco Nacional de Crédito. Saiu em 2013.

ANTONIO SILVA/LUSA

O Banco Popular já foi o banco espanhol mais português, pelo menos no capital. O empresário Américo Amorim chegou a ser o maior acionista individual da instituição, com direito a assento no conselho de administração durante vários anos.

A entrada no capital do Popular deu-se pela porta do Banco Nacional do Crédito Imobiliário (BNC), uma instituição bancária lançada pelo empresário português em 1990 quando estava em marcha a venda da participação que Américo Amorim detinha no BCP.

Em 2002, o empresário vende a maioria do capital do BNC ao Banco Popular, aproveitando o apetite da banca espanhola pelo mercado português. No início do milénio, o Santander comprou o Totta e o Crédito Predial Português e o BBVA estava de olho no BCP. A venda do BNC foi polémica porque Américo Amorim tinha sido um dos subscritores do chamado manifesto em defesa dos centros de decisão nacionais.

O empresário reage com indignação perante as acusações de venda de empresas portuguesas. Em declarações ao jornal Público, feitas em janeiro de 2003, Américo Amorim garante que não recebeu dinheiro pela venda do do BNC, mas sim ações do banco espanhol, que lhe deram cerca de 4,5% do capital.

O empresário invoca a limitação de ser português para justificar a dimensão do investimento que, ainda assim, lhe confere a posição de maior acionista individual do então BPE (Banco Popular Espanhol).

O BPE tem em Portugal 11 agências e destas vai inflectir nove para o logotipo BNC. Não é isto saudável? Agora não posso é pretender, como português, ter 51% do BPE, isso dava um bilião de contos. Tomara eu…”

À data, Amorim já era o rei mundial da cortiça, mas não o homem mais rico de Portugal — o investimento na Galp só seria feito em 2005.

Um ano antes, António Champalimaud tinha sido eleito para a administração do Santander (então Banco Santander Central Hispano). O empresário ficou com 2,5% do capital grupo espanhol, em troca da venda de uma parte do grupo bancário em Portugal. Atualmente, os herdeiros já não tem participação qualificada no maior banco espanhol.

A aquisição do BNC foi o grande salto da operação bancária do Popular em Portugal que chegou a ter mais de 200 balcões e 1300 colaboradores no mercado doméstico. O Popular português foi durante muitos anos liderado por Rui Semedo, que morreu em 2015.

Américo Amorim manteve-se no capital e na administração do Popular espanhol durante quase dez anos. Chegou a ter 7,7% da instituição espanhola em 2007, o que à data valia em preços de mercado mais de 1.200 milhões de euros. A partir de 2008, Amorim começa a desfazer-se desta posição e em 2013 as notícias dão conta de que tinha vendido quase tudo, numa altura em que o empresário estava focado em lançar projetos bancários em África — foi acionista do BIC — e no Brasil. Também nesse ano, o empresário português saiu da administração da instituição espanhola. Em setembro de 2013, Amorim teria menos de 0,1% do Popular.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: asuspiro@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)