O Banco Popular já foi o banco espanhol mais português, pelo menos no capital. O empresário Américo Amorim chegou a ser o maior acionista individual da instituição, com direito a assento no conselho de administração durante vários anos.

A entrada no capital do Popular deu-se pela porta do Banco Nacional do Crédito Imobiliário (BNC), uma instituição bancária lançada pelo empresário português em 1990 quando estava em marcha a venda da participação que Américo Amorim detinha no BCP.

Em 2002, o empresário vende a maioria do capital do BNC ao Banco Popular, aproveitando o apetite da banca espanhola pelo mercado português. No início do milénio, o Santander comprou o Totta e o Crédito Predial Português e o BBVA estava de olho no BCP. A venda do BNC foi polémica porque Américo Amorim tinha sido um dos subscritores do chamado manifesto em defesa dos centros de decisão nacionais.

O empresário reage com indignação perante as acusações de venda de empresas portuguesas. Em declarações ao jornal Público, feitas em janeiro de 2003, Américo Amorim garante que não recebeu dinheiro pela venda do do BNC, mas sim ações do banco espanhol, que lhe deram cerca de 4,5% do capital.

O empresário invoca a limitação de ser português para justificar a dimensão do investimento que, ainda assim, lhe confere a posição de maior acionista individual do então BPE (Banco Popular Espanhol).

” O BPE tem em Portugal 11 agências e destas vai inflectir nove para o logotipo BNC. Não é isto saudável? Agora não posso é pretender, como português, ter 51% do BPE, isso dava um bilião de contos. Tomara eu…”

À data, Amorim já era o rei mundial da cortiça, mas não o homem mais rico de Portugal — o investimento na Galp só seria feito em 2005.

Um ano antes, António Champalimaud tinha sido eleito para a administração do Santander (então Banco Santander Central Hispano). O empresário ficou com 2,5% do capital grupo espanhol, em troca da venda de uma parte do grupo bancário em Portugal. Atualmente, os herdeiros já não tem participação qualificada no maior banco espanhol.

A aquisição do BNC foi o grande salto da operação bancária do Popular em Portugal que chegou a ter mais de 200 balcões e 1300 colaboradores no mercado doméstico. O Popular português foi durante muitos anos liderado por Rui Semedo, que morreu em 2015.

Américo Amorim manteve-se no capital e na administração do Popular espanhol durante quase dez anos. Chegou a ter 7,7% da instituição espanhola em 2007, o que à data valia em preços de mercado mais de 1.200 milhões de euros. A partir de 2008, Amorim começa a desfazer-se desta posição e em 2013 as notícias dão conta de que tinha vendido quase tudo, numa altura em que o empresário estava focado em lançar projetos bancários em África — foi acionista do BIC — e no Brasil. Também nesse ano, o empresário português saiu da administração da instituição espanhola. Em setembro de 2013, Amorim teria menos de 0,1% do Popular.