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Francisco J. Marques, diretor de comunicação do FC Porto, voltou à carga no programa Universo Porto de Bancada, no Porto Canal, divulgando mais alguns emails para comprovar “a perseguição do Benfica aos agentes desportivos”. Neste caso, uma correspondência enviada em 2014 por Carlos Deus Pereira, na altura presidente da Assembleia Geral da Liga, para Pedro Guerra, atual diretor de conteúdos da BTV que era apenas comendador à data.

O Benfica monitoriza mensagens de Fernando Gomes, atual presidente da Federação e que passou pela Liga. Mensagens pessoais que tinha trocado, centenas de SMS. E agora o que têm a dizer sobre violação de correspondência privada? O que têm a dizer estas virgens ofendidas? Estão enterrados até ao pescoço. Alguém acredita que o Benfica é um competidor sério? E depois andam todos ofendidos. Os adeptos do Benfica não têm culpa nenhuma disto, mas também têm de ter real noção de quem é esta gente que tem no clube. E espero que não venham desmentir porque não quero ter de estar a mostrar as provas das mensagens“, referiu o responsável dos dragões.

De: Carlos Deus Pereira
Para: Pedro Guerra
Data: 16 de fevereiro de 2014, 17h31
Os ficheiros são de mensagens [SMS] do Fernando Gomes, presidente da Federação Portuguesa de Futebol à altura ainda presidente da Liga. Chamo a atenção às mensagens enviadas ao Tiago Craveiro, no ficheiro Tiago.csv-segunda mensagem. Aí, o atual presidente da FPF declara amor eterno ao azul e branco (…)

Francisco J. Marques falou ainda de uma troca de correspondência em fevereiro deste ano de Paulo Gonçalves e outros responsáveis do Benfica, onde o assessor jurídico terá exercido “um abuso de influência”. “E o que dizem os regulamentos? Para quem exercer abuso de influência? Segundo o que leio, a minha dúvida é se a exclusão do Benfica é de um, dois ou três anos. Controlam tudo, dominam tudo, é uma vergonha. Assumam estes comportamentos, peçam desculpa aos adeptos do Benfica e do futebol e demitam-se”, argumentou, depois de ter lido uma parte do email onde Paulo Gonçalves pretendia fazer algumas alterações num comunicado que os encarnados iriam emitir para “colocar pressão no Conselho de Justiça”.

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De: Paulo Gonçalves
Para: Vários
Data: 2 de fevereiro de 2017, 12h09
Na minha opinião, [o comunicado] está excelente. Reforçaria somente o seguinte parágrafo: a segurança é também um bem de todos e os recentes e graves acontecimentos noutros estádios – seguramente com consequências disciplinares verdadeiramente punitivas e preventivas – levam-nos a reforçar este apelo. Assim, metemos pressão no Conselho de Disciplina para sancionar o FC Porto e o SC Braga como deve ser. Como ainda vamos ter de ir jogar a Braga, era bom que houvesse coragem para interditarem a Pedreira

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A rematar, Francisco J. Marques referiu ainda que tem emails trocados entre Pedro Guerra e Nuno Cabral, delegado da Liga, “com questões de índole muito pessoal”. “Hoje uma jornalista ligou-me por causa de uma insolvência. Quando estive na Lusa, tive um outro negócio que correu muito mal e confirmei a informação, até esclareci algumas coisas. Porquê? Porque sou pela verdade. Sabia que iam aproveitar isso, é a forma de se comportarem. Agora, por mais que vasculhem, de mim nunca vão encontrar mensagens a dizer ‘200 euros o tempo que quiseres, se for a três são 400 euros’. A vida familiar das pessoas não, isso não interessa nada”.

Antes, o diretor de comunicação dos azuis e brancos tinha abordado a troca de emails entre Paulo Gonçalves e Luís Filipe Vieira revelada no último sábado pelo Expresso: “O Benfica argumenta que podia reclamar da nota, isso estava previsto. E estava. Mas falei com um ex-árbitro e quando lhe perguntei se era normal descer uma nota de 3.5 para 2.0, disse-me logo que havia ali vigarice, que para baixar tanto era preciso não marcar dez penalties mas, para isso, também não tinha uma nota inicial de 3.5. Aqui há marosca, é preciso investigar”.

Logo no início do programa, Francisco J. Marques tinha confirmado que vai levar Luís Bernardo, diretor de comunicação do Benfica, a tribunal, depois das declarações que teve na BTV na passada sexta-feira, aquando da resposta oficial dos encarnados a toda esta polémica: “É uma mentira, uma falsidade e vai responder em tribunal por ter dito que recebia uma avença do FC Porto quando estava na Lusa. Comecei a trabalhar no dia 15 de fevereiro de 2011 no FC Porto e nunca tive nenhuma ligação quando estava na Lusa. Agora vai ter de provar que esse contrato existe. E vai juntar-se a Pedro Guerra, a Pedro Adão e Silva e a André Ventura”.

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