Praticamente 93 por cento das exportações angolanas de 2016 foram de petróleo bruto, que aumentaram mais de 3.500 milhões de euros face a 2015, mas o país ainda necessitou de importar produtos agrícolas, que representam 10% do total.

Os dados constam do anuário do comércio externo de 2016, elaborado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), agora divulgado e ao qual a Lusa teve acesso, indicando que em todo o ano as vendas de crude ao exterior ascenderam a 4,466 biliões de kwanzas (24,1 milhões de euros), um aumento homólogo de 17%.

Angola continua desta forma fortemente dependente das receitas com a exportação de petróleo, apesar do crescimento que o setor agrícola tem registado. De 2015 para 2016, as exportações de produtos agrícolas aumentaram 44,79%, mas não passaram dos 17.858 milhões de kwanzas (96,5 milhões de euros), equivalente a uma quota de 0,37% do total.

Em maio de 2016 foi exportado um lote de 17 toneladas de bananas de Angola, a partir do porto do Lobito, para Portugal, mais de 40 anos após a última venda angolana desta fruta para a Europa.

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A banana foi proveniente da tradicional região do Culango, da fazenda agroindustrial Bacilin, província de Benguela, e foi embarcada ainda verde, após garantida a certificação pelos dois países.

Trata-se de um principais produtos de aposta para exportação em Angola, nomeadamente a originária das províncias do Bengo e de Benguela, que já é exportada para a República Democrática do Congo, e trocas comerciais reforçadas já em 2017, com outros produtores a venderam para a Europa.

No plano inverso, e apesar das conhecidas potencialidades agrícolas, 10,44% do volume de importações angolanas foram de produtos agrícolas, no valor de 211.270 milhões de kwanzas (1.140 milhões de euros), uma quebra de 4,32% face a 2015.

Apesar de ter sido o maior produtor de petróleo em África durante o ano de 2016, com cerca de 1,7 milhões de barris por dia, a reduzida capacidade de refinação de Angola obrigou à importação de 121.821 milhões de kwanzas (quase 660 milhões de euros), um peso de 6% do total das compras angolanas ao exterior, representando, ainda assim, uma quebra de 26,85% face ao total do ano de 2015.

A importação de produtos alimentares desceu 22,89% em 2016, para 103.644 milhões de kwanzas (560,5 milhões de euros), equivalente a 5,12% do total.

Globalmente, as exportações angolanas aumentaram 18,76% em 2016, para um volume de negócios total de 4,803 biliões de kwanzas (25,9 mil milhões de euros), enquanto as importações caíram 22,37%, para 2,024 mil milhões de kwanzas (10,9 mil milhões de euros).

Em 2016, a balança comercial de Angola, incluindo ainda reimportações e reexportações, registou um saldo positivo de 2,779 biliões de kwanzas (15 mil milhões de euros), praticamente o dobro face ao resultado de 2015.