O inquérito realizado pela Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) sobre os danos provocados no Convento de Cristo, em Tomar, pela equipa de filmagens de O Homem que Matou D. Quixote concluiu que “as situações descritas” por uma reportagem da RTP “carecem de rigor e revelam desconhecimento científico, levando ao empolamento e à adulteração de factos”.

Numa reportagem exibida a 2 de junho pela RTP1, funcionários e ex-funcionários — não identificados — do monumento denunciavam que a rodagem do filme, orçamentada em 17 milhões de euros e que resultou de uma parceria de produção entre vários países europeus, deixou várias pedras dos claustros partidas e várias telhas deslocadas. Além disso, denunciavam que a produção do filme tinha feito uma fogueira com 20 metros num dos claustros do convento, tendo usado para o efeito dezenas de botijas de gás com potencial explosivo.

De imediato, Terry Gilliam, que liderou este projeto internacional, desmentiu a gravidade dos factos relatados e garantiu que tudo o que fez foi “para proteger o edifício de qualquer dano”. “As pessoas deviam começar por saber dos factos antes de gritarem de forma histérica”, escreveu então no Facebook.

Agora, e de acordo com uma nota divulgada pela DGPC e citada pelo agência Lusa, o inquérito realizado vem refutar muitos dos factos apresentados como verdadeiros na reportagem da RTP. Além não ter sido “ateada uma fogueira com cerca de 20 metros de alturas”, como avançou a estação pública, “as paredes supostamente enegrecidas pelo fumo são o resultado da presença de agentes biológicos sobre as pedras calcárias”.

Em junho, o Observador visitou o Convento Cristo e falou com vários funcionários que não estavam satisfeitos com as “mentiras” que se contaram sobre os alegados danos provocados durante as filmagens. Alguns reconheceram mesmo que o convento ficou “mais arranjado” no fim das filmagens.

Apesar das conclusões do inquérito, avança o Diário de Notícias, a DGCP iniciou “uma revisão do Regulamento de Utilização de Espaços (…) com o propósito de uniformizar critérios de utilização e reforçar as exigências ás empresas que solicitam o aluguer” e a “criação de uma unidade interna permanente nos serviços centrais desta Direção-Geral, que se pronunciará previamente sobre todos os aspetos de segurança relativos às pretensões de utilização dos espaços, tanto a nível patrimonial, como humano”.

O que se passou afinal no Convento de Cristo? “Sempre esteve tudo controlado”