Dizem os jornais britânicos que é o “primeiro sinal significativo” de que o juiz pode mudar de ideias e contrariar os quatro veredictos anteriores, que davam razão ao Hospital de Great Ormond Street, em Londres, que ordenavam aos pais do bebé de 11 meses que os instrumentos de suporte de vida que o mantêm fossem desligados.

A reviravolta aconteceu esta quinta-feira em tribunal e ficou a dever-se à intervenção de um neurologista norte-americano que, contactado pela Casa Branca, se envolveu recentemente no casoe, tal como o Papa Francisco, se ofereceu para tratar o bebé. Internado desde a sexta semana de vida no hospital, depois de o nascimento prematuro lhe ter causado cegueira e mudez profundas, Charlie Grad foi entretanto diagnosticado com uma rara (haverá no mundo inteiro 16 pessoas com a doença) e incurável condição genética: a síndrome de depleção do ADN mitocondrial.

Por acreditarem que o melhor que podem fazer pelo bebé é dar lhe “uma morte com dignidade”, os médicos do Hospital de Great Ormond Street pediram ajuda aos tribunais, no que têm sido fortemente contestados por Connie Yates, de 31 anos, e Chris Gard, de 32, seus pais.

O neurologista que esta quinta-feira, via videoconferência, passou três horas a falar com o juiz e lhe garantiu que “o bebé pode ter “até 56% de hipóteses de melhorar consideravelmente”, pode ter condicionado o desfecho do caso, que previsivelmente devia acontecer já esta sexta-feira à tarde.

Questionado sobre se estaria na disposição de se deslocar a Londres para prestar declarações, o médico norte-americano, Michio Hirano, professor de neurologia no Columbia University Medical Center, em Nova Iorque, respondeu com um “adoraria fazê-lo”. Antes de o especialista viajar para o Reino Unido, não deverá ser proferida qualquer sentença.

Apesar de ter concordado que o facto de a cabeça do bebé não estar a crescer é à partida um “mau sinal”, Michio Hirano garantiu estar otimista relativamente ao prognóstico: “Charlie tem até 56% de hipóteses de melhorar consideravelmente”.

Para isso, o especialista propôs um tratamento experimental que tem sido utilizado para tratar pacientes com uma variante, que afeta os músculos, da mesma doença, mas que nunca foi testado em doentes como Charlie, com a variante que acomete o cérebro: “Não podemos curar esta doença… mas estou confiante de que podemos melhorar a função cognitiva”.

Os responsáveis do Hospital de Great Ormond Street não colocaram qualquer objeção à ida do médico a Londres.