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Gonçalo perdeu a conta ao número de novas marcas de bikinis, fatos de banho e trikinis que nasceram nos últimos dois anos. Mas sempre que precisava de comprar uns calções de banho, não tinha grande poder de escolha e acabava por usar sempre o mesmo modelo. “Ia para aqueles compridos, típicos dos surfistas”, explica Gonçalo Cardoso, um dos criadores da Blue Avenue, a marca 100% portuguesa que quer revitalizar o conceito de beachwear masculina.

Estávamos em junho de 2016. Gonçalo tinha tido a ideia, mas precisava de ajuda para concretizar o projeto: alguém especialista em têxtil e outra pessoa com conhecimento em e-commerce para pôr a marca rapidamente on. Ligou a dois amigos de infância: João Silva, licenciado em gestão hoteleira, e Pedro Teixeira, que tem formação em e-commerce e webmarketing. “Lembrei-me deles pelas ferramentas que eu não tinha acesso”, explica Gonçalo.

O conceito era simples. Criar uma marca com modelos clássicos, dos 18 aos 60 anos, que podia vestir pai e filho e a um preço acessível. João gostou tanto da ideia que decidiu largar o emprego no ramo hoteleiro que tinha no Algarve para lançar a Blue Avenue. “Era o empurrão que precisava para voltar ao norte e trabalhar na minha área”, confidencia o jovem.

Entre o brainstorming da marca à confeção dos primeiros calções, passaram pouco mais de dois meses. “Queríamos ainda aproveitar o bronze do verão e fotografar a coleção”, comentou Gonçalo. Convocaram os amigos, conseguiram um barco para a produção e em setembro tinham todo o material para divulgação nas redes sociais e no site da marca. “Desta forma, conseguiríamos arrancar oficialmente logo no começo de 2017”, acrescenta. E assim foi.

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Apostaram numa primeira coleção arrojada para tentar perceber o que o mercado absorvia. “Sentíamos que faltava beachwear para público masculino, mas só as pessoas é que nos podiam dizer o que realmente precisavam”, explica Pedro Teixeira, de 29 anos. Decidiram fazer um teste e a primeira encomenda teve apenas 500 exemplares.

Escolheram as riscas, peças lisas, elementos do mar ou até tartarugas. E o feedback não podia ser melhor. “O mercado nacional apostou mais nos clássicos das riscas e nos lisos. Os best sellers foram todos”, afirma João Silva. “Eram as nossas propostas. Somos uma marca recém-nascida e queríamos ver como as pessoas reagiam as nossas ideias”, justifica João Silva. Em menos de cinco meses, tiveram que repor o stock três vezes.

A aposta num produto com qualidade mas a preços acessíveis foi outros dos fatores de sucesso. Os calções custam 49 euros. “O nosso objetivo é criar uma marca de praia que todos possam usar”, acrescenta Gonçalo. E os detalhes podem fazer a diferença. “Optámos por tecidos bons, confortáveis e que sequem rápido”, descreve João.

Logo na primeira encomenda conseguiram também perceber quais os modelos que deviam apostar mais no exterior. “Lá fora, são mais arrojados, gostam de calções com mais elementos”, explica um dos criadores da Blue Avenue, que já exporta para outros países europeus, Estados Unidos e até Ásia. “São mercados habituados a pagar mais por produtos de qualidade”, afirma Pedro Teixeira, que não descarta a hipótese de ir para outros mercados, mas “primeiro solidificar a marca em Portugal”.

Todos os calções da Blue Avenue são produzidos numa fábrica em Barcelos, lado a lado com modelos da Ralph Lauren ou Gant. “Temos das melhores indústrias têxteis e os grandes mercados de luxo produzem aqui. Não devemos tirar partido disto?”, questionam os sócios. Gonçalo, João e Pedro são unânimes: querem apostar no produto 100% português, sem descurar a qualidade.

João é o responsável pela criação e desenho dos modelos Blue Avenue, pela gestão de stock, contacto com fornecedores e clientes; Gonçalo trata da imagem e fotografia e Pedro fica com a gestão online e internacionalização da marca.

Depois de um mês a trocar emails e mensagens, foi num jantar de amigos que chegaram ao nome da marca. “Blue Avenue surge do ‘blue’ da praia e do mar, uma marca de beachwear masculina, que nos permitia diversificar”, explica Gonçalo. É o caso das T-shirts que já têm à venda na sua loja online.

Os sócios estão a trabalhar na próxima coleção que contará também com camisas de linho, guarda-sóis, acessórios e toalhas de praia. “Não queremos ficar só presos ao mar, à sazonalidade e vender apenas no verão do hemisfério norte”, acrescenta Pedro Teixeira.

Daqui a cinco anos, esperam ter os seus produtos em várias lojas espalhadas pelas principais capitais do mundo. “O céu é o limite”, comentam, em tom de brincadeira. A primeira coleção correu tão bem que já têm a produção fotográfica de 2018 agendada. “Em setembro, claro.”

Nome: Blue Avenue
Data: 2016
Pontos de venda: loja online
Preços: 22€ a 49€
100% português é uma rubrica dedicada a marcas nacionais que achamos que tem de conhecer.