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Ficção Científica

O mundo vai acabar (outra vez) em setembro

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Há mais um "apocalipse" agendado. Desta vez, os astrólogos garantem que o mundo vai acabar a 23 de setembro e a causa é um planeta oculto, que é como quem diz: não existe.

Pelo sim, pelo não, não desmarque os planos que tem para lá de 23 de setembro

Getty Images/iStockphoto

Não chegamos vivos ao outono, aparentemente. Os fãs de teorias da conspiração estão em êxtase com (mais) uma teoria do fim dos tempos. Supostamente, o mundo vai acabar a 23 de setembro, data do equinócio de outono. O que vai provocar este “apocalipse”? Um planeta, um eclipse, e uma coincidência numérica.

Uma coisa é certa: a 21 de agosto vai dar-se um fenómeno astronómico raro e espetacular — um eclipse solar perfeitamente visível na América do Norte. A Lua vai ocultar o Sol, por uns minutos, na perfeição, e o efeito é visível na Terra. O eclipse solar total vai durar cerca de 2 minutos e quarenta segundos, segundo a NASA, mas em Portugal só será visível parcialmente (se as condições climatéricas o permitirem).

Há séculos que os eclipses lunares e solares são usados como premissa de cataclismos ou para justificar a presença de entidades divinas. Felizmente, a ciência e a astronomia permitem-nos hoje conhecer todos os contornos deste fenómeno.

Astrologia

A astrologia é uma pseudociência da adivinhação. De acordo com estes “profissionais”, a relativa posição de vários corpos celestes (existam ou não), têm uma influência na personalidade de uma pessoa e efeitos na vida humana.

Que relação tem este eclipse com o apocalipse agendado? O hipotético planeta Nibiru (ou Planeta X, depende da teoria) “vai chocar com a Terra” a 23 de setembro e o eclipse de 21 de agosto “é o presságio” dessa catástrofe, com “a lua negra” e o “amanhecer obscuro” como sintomas, garante David Meade, autor do livro Planet X — The 2017 Arrival, ao Telegraph. A NASA garante que o planeta não existe.

A teoria de Meade assenta numa passagem do Velho Testamento e chama-se “Convergência do 33”, que diz respeito a uma série de coincidências que incluem o número 33: “Quando o eclipse começar a 21 de agosto, o pôr-do-sol vai ser negro tal como Isaías previu. A Lua vai estar envolvida numa lua negra, que só ocorrem a cada 33 meses. Na Bíblia, o nome divino de Eloim aparece 33 vezes no Genesis.”

Além disso, o autor explica que “o eclipse vai começar em Lincoln Beach, Oregon – o 33.º estado [norte-americano] – e acaba no 33.º grau de Charleston, Carolina do Sul. Tal eclipse não acontece desde 1918, ou seja 99 anos – 33 vezes três!”

Para Meade faz sentido que o fim do mundo se dê a 23 de setembro, 33 dias após 21 de agosto.

Tantas foram as teorias e mitos que se semearam nas últimas décadas, mas até ao momento, nenhuma se concretizou. No final do século passado, a teoria mais popular era a de que o mundo ia acabar no início do novo milénio, em 2000. Houve de facto uma catástrofe, mas foi no mundo informático. Os programadores utilizavam apenas dois dígitos para marcar o ano e ficaram na dúvida: “O que vai acontecer quando o contador chegar a 00?” Não aconteceu nada e muitas empresas de programação acabaram a lucrar.

A mais popular e batida da cultura popular foi a do ano 2012. Supostamente, o calendário maia terminava a 21 de dezembro de 2012, mas é um facto não comprovado. A teoria do fim do mundo num evento de dimensão dantesca deu origem a muitos livros, a um filme e a uma série de documentários. Contudo, a 22 de dezembro continuou-se a celebrar o dia da mãe na Indonésia.

O dia 23 de setembro calha a um sábado. Realmente, o mundo escolhe o pior dia para acabar.

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