Quem pretender viajar até Espanha no próximo ano pode ver as suas redes sociais investigadas. A medida, escreve o El Confidencial, pretende prevenir – e impedir – a entrada de potenciais terroristas.

Tudo passa pelo Passenger Name Record (PNR), um programa dotado de Inteligência Artificial, que vai cruzar os dados dos passageiros e rastrear a sua atividade online. O programa recolhe dados como o nome, a morada, o número de telefone ou o e-mail. Depois disso, cruza essas informações e vai investigar o seu rasto em navegadores de pesquisa e também em redes sociais como o Facebook, Twitter, YouTube ou Instagram e ainda todo o tipo de comentários em fóruns ou blogues que estejam associados ao seu “perfil”.

A medida só deverá ser aprovada em meados do próximo ano – no máximo a 25 de maio -, mas a ideia é que este rastreio permita verificar se há atividade suspeita relacionada com algum passageiro que esteja para entrar em território espanhol.

A ideia do PNR surgiu após os atentados do 11 de setembro nos Estados Unidos e foi nessa altura que a União Europeia acelerou a sua aplicação. O projeto teve mais de 836 correções até ser aprovada.

A recolha de dados também já vem prevista na lei da União Europeia de 27 de abril de 2016, que permite que as companhias aéreas partilhem com os estados-membros o número do passaporte e Cartão de Cidadão dos passageiros, mas também outros dados como o número de cartão de crédito, o e-mail ou o número de telefone. Relativamente ao cruzamento e rastreamento da atividade na Internet, essa tarefa cabe a cada país que, de forma autónoma, pode ou não rastrear o passageiro. No caso espanhol, será o programa que irá gerir essa informação.

Os dados serão guardados pelo Governo durante cinco anos, à responsabilidade do Centro de Inteligência contra o Terrorismo e Crime Organizado.

Quase uma semana depois dos atentados em Barcelona, o Estado Islâmico divulgou, na quarta-feira, um vídeo onde ameaçou Espanha e onde prometeu novos ataques.