O Presidente do Brasil, Michel Temer, enviou esta segunda-feira uma carta aos deputados do país em que afirma ser vítima de uma conspiração que visa retirá-lo da Presidência da República.

Tenho sido vítima desde maio de torpezas e vilezas que pouco a pouco, e agora até mais rapidamente, têm vindo à luz. Jamais poderia acreditar que houvesse uma conspiração para me derrubar da Presidência da República. Mas os fatos me convenceram. E são incontestáveis”, afirma na carta divulgada pela imprensa brasileira.

O chefe de Estado brasileiro, que foi denunciado pela segunda vez em setembro pela Procuradoria-Geral da República (PGR) do país acusado da suposta prática dos crimes de obstrução da Justiça e organização criminosa, enfrenta um pedido de abertura de processo que será decidido pelos deputados em votação no plenário ainda sem data marcada.

Para se defender na carta enviada aos parlamentares, Temer cita um áudio em que executivos da empresa JBS falam sobre o seu acordo de delação premiada.

No áudio vazado por acidente da conversa dos dirigentes da JBS, protagonizado por Joesley e Ricardo Saud, fica claro que o objetivo era derrubar o Presidente da República. Joesley diz que, no momento certo, e de comum acordo com o [procurador-geral da República] Rodrigo Janot, o depoimento já acertado com o [agente financeiro] Lúcio Funaro fecharia a tampa do caixão. Tentativa que vemos agora em execução”, critica o Presidente.

O Presidente também diz que o ex-deputado Eduardo Cunha, preso e condenado por participação nos desvios de dinheiro da Petrobras, negou uma série de factos relatados pelos delatores da JBS e por Lucio Funaro, que confessou ter participado em crimes investigados pela PGR e que citou Temer como um dos políticos do Brasil que ele ajudava a cometer ilegalidades.

O ex-deputado Eduardo Cunha disse que a sua delação não foi aceite porque o procurador-geral exigia que ele incriminasse o Presidente da República. Esta negativa levou o procurador [Rodrigo] Janot a buscar alguém disposto a incriminar o Presidente. Que, segundo o ex-deputado, mentiu na sua delação para cumprir com as determinações da PGR. Ressaltando que ele, [Lucio] Funaro, [nem] sequer me conhecia”, diz.

No fim da carta, Temer repetiu que “afirmações falsas, denúncias ineptas alicerçadas em fatos construídos artificialmente e, portanto, não verdadeiros, sustentaram as mentiras, falsidades e inverdades que foram divulgadas. As urdiduras conspiratórias estão sendo expostas. A armação está sendo desmontada”.

É preciso restabelecer a verdade dos fatos. Foi a iniciativa do governo, somada ao apoio decisivo da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, que possibilitou a retomada do crescimento no país”, conclui o Presidente brasileiro.