Pinhal de Leiria, Pedrógão (Marinha Grande, Leiria), Urso (Figueira da Foz), Dunas de Quiaios (Figueira da Foz), Dunas de Vagos (Vagos), Covilhã e Margaraça (Serra de Açor/Arganil). Estes são os nomes das matas nacionais que foram afetadas, “de forma significativa” pelos “trágicos incêndios que no verão de 2017 devastaram o centro de Portugal”.

As citações são retiradas de um despacho publicado esta quinta-feira que dá instruções ao Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) para fazer um relatório sobre o impacto dos fogos nestas áreas que estão sob gestão direta do Estado e uma avaliação rigorosa da execução dos planos de gestão florestal, bem como dos acontecimentos e danos no património florestal, natural e edificado. No prazo de quatro meses deverá ainda ser apresentado um programa de intervenção nas matas nacionais, incluindo medidas de estabilização de emergência e de reabilitação de ecossistemas, incluindo rearborização, e respetivo plano de financiamento.

Apesar de serem apenas sete num universo de cerca de 30, as matas nacionais referidas no despacho, a maioria das quais foi seriamente atingida pelos fogos deste domingo, representam mais de metade — 58% — da área total ocupada por estes espaços que é de 47.500 hectares. Em causa estão 27.618 hectares que se dividem sobretudo pelas matas do Pinhal de Leiria — 11 mil hectares, Mata de Quiaios — seis mil hectares, Dunas de Vagos — 2.289 hectares, Mata do Urso — seis mil hectares e Pedrógão (Marinha Grande) — 1.800 hectares.

A relevância destas sete matas ainda é mais significativa no conjunto das matas nacionais se olharmos para a área arborizada nestes espaços. Dados do ICNF indicam que estes sete espaços protegidos correspondem a 65% da área arborizada da rede de matas nacionais.

Portugal é um dos países que a nível mundial tem menos floresta do Estado e as matas afetas ao serviço do Estado e de outras entidades públicas representam apenas 2,4% da superfície florestal. No entanto, e de acordo com a informação institucional do ICNF, assumem “um papel relevante no âmbito das políticas públicas para as florestas e a conservação da natureza, tanto ao nível das funções dos espaços florestais que não têm cabimento na lógica e nos horizontes temporais da atividade privada, como ao nível da gestão de ecossistemas de alto valor de conservação ou, ainda, como garante da qualidade técnica dos serviços públicos para a gestão de espaços naturais”.

O despacho assinado pelo secretário de Estado das Florestas, Miguel de Freitas, reconhece o valor destas matas para o correto ordenamento do território e refere a necessidade de um programa de intervenção específico para restaurar os ecossistemas e criar as “condições para a efetiva e duradoura recuperação das áreas ardidas nas matas nacionais, definindo os recursos públicos afetados a essa recuperação”.

Pinhal de Leiria, Pedrógão (Marinha Grande. Leiria), Urso (Figueira da Foz), Dunas de Quiaios (Figueira da Foz), Dunas de Vagos (Vagos), Covilhã e Margaraça (Serra de Açor/Arganil). Para além de serem matas nacionais, estes nomes têm pelo menos menos mais duas coisas em comum: estão localizadas no Litoral Centro (com exceção da Covilhã), entre os distritos de Leiria, Coimbra e Aveiro — e viram grande parte da sua área queimada nos fogos do domingo, a avaliar pelos testemunhos de entidades locais, sobretudo autarcas.

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Até agora, o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas ainda não deu informação sobre a área ardida e os prejuízos nestas matas nacionais que estão sob a sua tutela. Os técnicos estão no terreno, mas a dimensão das áreas atingidas pelo fogo, a sua dispersão geográfica e a falta de meios locais no terreno — por exemplo, os técnicos florestais das autarquias estão assoberbados por outras prioridades que passam por avaliar as perdas a nível de infraestruturas, casas e fábricas e dar assistência a desalojados — não estão a facilitar os trabalhos.

Ao contrário do que aconteceu a seguir a Pedrógão Grande, quando foi divulgado um relatório extraordinário dois dias depois dos incêndios, ainda não foram avançados dados oficiais, ainda que provisórios, sobre as áreas ardidas. As imagens transmitidas pelo sistema europeu de informação sobre fogos florestais indicam que depois dos fogos do último fim de semana a área ardida em Portugal se aproximará este ano dos 500 mil hectares, a pior de sempre.

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