O início da corrida no Circuito das Américas prometia qualquer coisa de diferente: Sebastian Vettel arriscou muito na reta de partida com o seu Ferrari para ultrapassar o Mercedes de Lewis Hamilton (e conseguiu), Bottas saiu um pouco de pista mas foi a tempo de recuperar a terceira posição, Daniel Ricciardo fazia a volta mais rápida e estava a pressionar. Volta mais rápida para Hamilton, volta mais rápida para Vettel, volta mais rápida para Hamilton e troca na liderança da corrida, com o inglês a passar o alemão após alguns ataques não concluídos.

O GP dos Estados Unidos podia consagrar Hamilton como campeão, mas o facto de necessitar de uma combinação de resultados com Vettel colocava como pouco provável o título este domingo. É verdade que, nas últimas três provas, o germânico não tinha terminado duas devido a acidente (Singapura) e problemas de motor e perda de potência (Japão), mas existe sempre aquele brio de quem tem quatro títulos mundiais e não quer entregar de mão beijada o mesmo estatuto ao maior rival da atualidade. E foi isso que se confirmou.

Depois desse curto lapso com Vettel na frente, Hamilton veio para a frente e dominou a corrida por completo, ao passo que o alemão, com uma tática de duas paragens, andou muitas voltas na quarta posição atrás do companheiro de equipa Kimi Räikkönen e do outro Mercedes de Valtteri Bottas. Mesmo que perdesse esse lugar para o Red Bull de Max Verstappen, teria depois um fosso de quase um minuto para o Force Índia de Esteban Ocon.

Mas, havendo uma pequena brecha para subir na classificação, o alemão ia atacar. E a fantástica ultrapassagem a Bottas quando o finlandês fazia uma dobragem acabou por ser o mote para conseguir de novo a segunda posição (Räikkönen também caiu para terceiro, acabaria por descer para quarto após uma prova fenomenal de Max Verstappen que subiu do 18.º lugar mas recuperou o pódio devido a uma penalização de cinco segundos que o holandês sofreu no final da corrida) e manter o posto com que tinha partida para o GP dos Estados Unidos. Aliás, só não chegou para travar a anunciada vitória da Mercedes no Mundial de construtores…

O primeiro xeque não foi concretizado, mas o mate está ali ao virar da curva: domingo, no Autódromo Hermanos Rodríguez, o inglês campeão mundial em 2008 (pela McLaren), 2014 e 2015, estes pela Mercedes, necessita apenas de nove pontos (ou um quinto lugar, equivalente a dez) para carimbar a vitória também em 2017. Mas se é certo que Hamilton está numa fase muito melhor, Vettel vai dar luta até à última para adiar o inevitável.

Estados Unidos e México podem andar a discutir a badalada e polémica construção do muro. Para o inglês, não há muro. E em vez de celebrar com um chapéu de cowboy, deve fazê-lo com um sombrero.

Contas feitas, Lewis Hamilton passou a somar 331 pontos (nove vitórias, 12 pódios), mais 66 do que Sebastian Vettel (quatro vitórias, 11 pódios) a apenas três corridas para o final do Mundial (México, Brasil e Abu Dhabi).