Numa semana marcada pela fuga de muitos gigas de emails ligados ao Benfica, bem como contratos entre os encarnados e a Nos ou a Emirates, por exemplo, e pelo comunicado das águias a ameaçar agir contra todos aqueles que divulguem, obtenham ou acedam a informação confidencial, o programa “Universo Porto de Bancada” voltou à carga contra o rival, pedindo explicações sobre uma série de temas num caso que tem marcado a atualidade e que Francisco J. Marques, diretor de comunicações dos dragões, abordou recordando o… Watergate.

Benfica vai avançar com ações contra quem divulgue, obtenha ou aceda a informação confidencial dos emails

“Todos já percebemos que o acesso aos emails foi ilícito, mas no Wikileaks ou no Watergate também não foi. Não vale a pena bater no ceguinho porque o que interessa aqui é o conteúdo. O Benfica perdeu o controlo disto, porque com a facilidade de circulação de informação não consegue ter esse controlo, e tenta agora ameaçar as pessoas. Vão pentear macacos, é óbvio que vamos continuar a ler! O grosso da documentação que trouxemos inicialmente era dos anos mais recentes, mas estas novas revelações têm incidido essencialmente em coisas de 2008 e 2009 e que são idênticas no modo de agir, que é irregular”, destacou o responsável azul e branco, antes de entrar em temas específicos como o alegado apoio do Benfica aos No Name Boys e aos Diabos Vermelhos.

“Estamos a falar de claques ilegais do Benfica, que já causaram duas mortes. Claques ilegais com a cumplicidade do Benfica e das autoridades portuguesas, designadamente o Governo. Há uma série de emails que atestam esse apoio, como um de 2009, enviado pelo senhor Rui Pereira para o Domingos Soares de Oliveira, com o conhecimento do Paulo Gonçalves, onde diz haver uma estratégia montada para atrasar a entrada dos adeptos do FC Porto e que foi instalada uma segunda linha de revista pelos spotters da PSP. Este email é uma vergonha para os responsáveis do Benfica, que promovem uma estratégia para demorar a entrada dos adeptos do FC Porto, e para a PSP de Lisboa, que colabora com isto. Isto envergonha qualquer país e o Governo tem de pôr mão nisto”, salientou, antes de escalpelizar as supostas provas desse mesmo envolvimento com as claques.

“Este email de uma deslocação do Benfica a casa do Olhanense: ‘Número de bilhetes para os No Name Boys e Diabos Vermelhos’. O Benfica está proibido de fornecer bilhetes porque as claques não estão legalizadas. Há vários emails assim, como outro da final da Taça de Portugal de futsal. O Benfica diz que as claques não existem, mas em 2009 há um email em que são enviados ao Paulo Gonçalves, a pedido de Luís Filipe Vieira, os dados dos membros dos No Name Boys. Nome, morada, data de nascimento…”, reforçou o portista.

Pinto da Costa promete continuar a lutar pela “verdade no futebol”

Francisco J. Marques fez também alusão a um suposto email trocado entre Domingos Soares de Oliveira e Paulo Gonçalves, onde é referido um pagamento de “50k [50 mil euros] pela porta do cavalo” feito alegadamente por Gilberto Madaíl, na altura presidente da Federação Portuguesa de Futebol.

“Domingos Soares de Oliveira escreve para o Paulo Gonçalves, a 21 de setembro de 2009: ‘Podem começar a tratar com o Miguel Pereira e Miguel Rei. Quanto ao contrato, está fechado do ponto de vista de negócio, o GM vai pagar pela porta do cavalo mais 50k, veja só as componentes jurídicas e pode preparar a assinatura’. Convém explicar que isto é a propósito de um Portugal-Hungria no estádio da Luz, num contrato com a Federação. O ‘GM’ trata-se de Gilberto Madaíl, presidente da Federação à data, e convém deixar bem claro que isto não tem nada a ver com o atual presidente, Fernando Gomes. Deviam explicar o que é isto da porta do cavalo, que costuma ser entendido como um pagamento por baixo da mesa, um pagamento irregular, ilegal. Nem quero acreditar que a Federação esteja envolvida numa coisa desta, a ser verdade é muito mau”, criticou o diretor de comunicação portista.

Houve ainda um ponto curioso no programa emitido pelo Porto Canal esta terça-feira à noite: quando Pedro Bragança falava sobre os comentários de Pedro Guerra, que estava sempre a perguntar quais eram os jogos que tinham sido comprados, Francisco J. Marques deixou escapar um “a seu tempo, a seu tempo”. Mais revelações à vista?