Há quem vá, há quem não vá, mas dificilmente alguém não teve ou vai ter um jantar de Natal ou com os amigos ou com os companheiros de trabalho. Que depois pode ou não ter brinde, que é como quem diz aquele sempre pitoresco jogo do amigo secreto onde se juntam os nomes, há um sorteio e depois se compra uma prenda para alguém. Mas a que propósito vem esta conversa? É que o Sporting-U. Madeira, que terminou com um cabaz dos leões por 6-0, pode resumir-se a isto mesmo: um início de festa calmo, uma prenda que vinha a calhar e a festa até ao final.

Ficha de jogo

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Sporting-U. Madeira, 6-0

2.ª jornada do grupo B da Taça da Liga

Estádio José Alvalade, em Lisboa

Árbitro: Vasco Santos (AF Porto)

Sporting: Salin; Piccini, Coates, Mathieu, Bruno César (Bruno Fernandes, 53′); William Carvalho, Bryan Ruíz (Bas Dost, 53′); Gelson Martins, Acuña, Podence e Doumbia (Iuri Medeiros, 70′)

Suplentes não utilizados: Rui Patrício, André Pinto, Ristovski e João Palhinha

Treinador: Jorge Jesus

U. Madeira: Chastre; Sylla (Ciss, 85′), Allef Nunes, Romaric, Mica Pinto; Sagna (Mendy, 85′), Nduwarugira; Flávio Silva (Tiago Moreira, 54′), Rodrigo Henrique, Júnio e Luan

Suplentes não utilizados: Nóbrega, Malfleury, Paulo Vasconcelos e Laércio

Treinador: Ricardo Chéu

Golos: Doumbia (20′ e 61′), Mathieu (51′), Gelson Martins (67′), Coates (79′) e Iuri Medeiros (81′)

Ação disciplinar: nada a registar

Ciente da importância que o encontro poderia ter nas contas verde e brancas na fase de grupos da Taça da Liga CTT, Jorge Jesus mexeu pouco ou nada na equipa: trocou Fábio Coentrão por Bruno César na lateral esquerda, promoveu a entrada de Bryan Ruíz como ‘8’ (ou médio centro, como gosta de referir) em vez de Bruno Fernandes e substituiu Doumbia por Bas Dost. De resto, tudo igual. Mas nem por isso tão fácil como teoricamente se previa.

Apesar da entrada forte do Sporting, o U. Madeira, agora comandado por Ricardo Chéu, foi conseguindo dar réplica não só no plano defensivo mas também na forma como ia saindo em transições rápidas a três/quatro toques mostrando que se é verdade que é um luxo ter Bryan Ruíz numa fase de construção mais recuada, também pode ser perigoso quando se tem uma equipa muito subida sem tanta intensidade na rápida recuperação de bola. Ainda assim, e no lance mais perigoso, a bola ainda entrou na baliza de Salin mas a jogada estava (bem) anulada. Até que, aos 20′, Doumbia inaugurou o marcador. E esse acabaria por ser o princípio do fim dos insulares.

Sagna quis fazer algo mais do que provavelmente sabe e muito mais do que provavelmente devia e perdeu uma bola no corredor central muito perto da área, com Doumbia a aproveitar a oferta, a avançar e a desviar de Chastre com um toque de classe, inaugurando o marcador em Alvalade. A seguir, um remate/cruzamento da esquerda ainda assustou Salin (defesa para a frente, antes do corte de Coates para canto), mas até ao intervalo seria o Sporting a enviar ainda duas bolas aos ferros, por Podence (31′) e Coates (43′), entre outras oportunidades.

Na segunda parte, o golo de Mathieu logo abrir, no seguimento de um canto na esquerda apontado por Acuña, acabou por ser aquela música que impulsiona o resto de uma grande noitada de festa: por um lado, o Sporting, que entretanto passou a contar com Bruno Fernandes e Bas Dost no ataque à baliza insular, acelerou e teve uma última hora verdadeiramente diabólica em que conseguia criar oportunidades de todas as maneiras e feitios; por outro, o U. Madeira, que pretendia ir aguentando a partida para no final arriscar um bocado mais, quebrou animicamente, partiu os setores, foi forçado a cometer erros em catadupa e só olhava para o relógio para ver quando acabava…

Já depois de duas boas defesas de Chastres a remates de Bruno Fernandes e Dost, além de uma bola na trave do holandês que, propositado ou não, poderia ser o golo da noite, Doumbia aproveitou uma defesa incompleta do guarda-redes insular a cabeceamento de Coates após canto e empurrou com facilidade para o 3-0 aos 61′.

Pouco depois, numa fantástica jogada de combinação em movimento, Bruno Fernandes lançou Bas Dost em profundidade e o holandês, que nunca marcou na Taça da Liga, decidiu assistir para o lado, onde Gelson Martins só teve de empurrar para a baliza do desamparado Chastres (67′).

No último quarto de hora, Coates, a concluir na área uma boa jogada de Iuri Medeiros e Podence na direita (79′), e Iuri Medeiros, num lance individual a fletir da direita para o centro antes do remate em arco com o pé esquerdo (81′) fecharam a contagem num encontro que podia até ter acabado com números mais pesados.

A precisar de ganhar e, se possível, com uma margem folgada, por forma a encarar a última jornada da Taça da Liga com outro à vontade (pelo menos, a depender de si e em boas condições pela diferença de golos marcados e sofridos), o Sporting galvanizou-se, acelerou e encarou o jogo da terceira competição nacional como se de uma final se tratasse. E essa foi a receita para Jorge Jesus igualar a maior goleada desde que chegou a Alvalade.