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“Esse rótulo não encaixa na minha pessoa e falha completamente o ponto”. É assim que o ministro das Finanças português reage, na primeira entrevista que deu como presidente do Eurogrupo, à alcunha de “anti-Schauble”. E Mário Centeno explica porquê: “O Governo português está a promover a consolidação orçamental e ao mesmo tempo a convergência com a União Europeia”.

Ao jornal económico alemão Handelsblatt, o ministro português diz das reuniões que, no passado, manteve com o antigo ministro das Finanças alemão sabe que Schauble valoriza “que um país cresça de forma equilibrada e que tenha a sua situação orçamental também equilibrada. É precisamente o que fizemos temos superavit na conta corrente e no saldo primário, o que nos permite reduzir a dívida” . Também recusa o rótulo de ser anti-austeridade: “Esse é outro equívoco”.

As medidas que tomou (como o aumento do salário mínimo) justifica-as com a necessidade de “promover a coesão social”, mas garante que foram “complementadas com reformas estruturais e um programa rigoroso de controlo da despesa“. E quanto às críticas no contexto europeu a algumas das medidas tomadas pelo Governo português, o ministro das Finanças responde com “o preconceito face a um governo de centro-esquerda” e também com a eventual “falta de informação.

Também nota os “sinais encorajadores” vindos da Alemanha, e da coligação CDU/SPD, nomeadamente quanto à existência de um orçamento comum na zona euro para o investimento. “Faz sentido, para uma união monetária, ter uma capacidade orçamental que faz o papel de apoiar o investimento”, podendo “funcionar como um instrumento estabilizador”. Centeno tem esta discussão em cima da mesa a que agora preside, a do Eurogrupo, e diz que espera ter em março uma noção mais clara dos temas em questão para poder fechá-los na cimeira europeia de junho.

Centeno aguarda que esta discussão se “intensifique” nas reuniões de fevereiro e março, para que “possam ser tomadas decisões em junho”, aproveitando aquele que considera uma “oportunidade única”. E isto porque nos principais países europeus houve eleições recentemente e “iniciaram-se novos ciclos políticos”, nota o ministro das Finanças português que também acrescenta o bom momento orçamental de parte dos estados-membros.

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