“Mudbound — As Lamas do Mississípi”

Nem tudo em que a Netflix toca se transforma em ouro. Também há muito refugo por lá e a prova é este “Mudbound — As Lamas do Mississípi”, que teve também lançamento em cinema. Baseado no livro homónimo de Hillary Jordan, “Mudbound” nem sequer televisão decente consegue ser, quanto mais ter estatuto para ser exibido em sala. Passado no Sul dos EUA logo após a II Guerra Mundial, quando os soldados regressavam em massa a casa, esta fita de Dee Williams insiste em todos os lugares-comuns dos enredos romanesco-sociais com “mensagem” politicamente correcta embutida, desde a dureza crónica da vida dos fazendeiros e rendeiros, até à condição miserável dos negros e ao racismo quotidiano e generalizado. As personagens são feitas de cartão ordinário e cola barata e os actores estão prisioneiros delas, a história não sai do mesmo sítio, qual carro irremediavelmente atolado na lama do título, a realização foi vítima da mosca tsé-tsé e o filme parece durar o dobro ou o triplo das já de si penosas mais de duas horas que tem. Muito primário, muito tosco, muito desgraçado e muito, muito chato.

https://youtu.be/xucHiOAa8Rs

“Chama-me Pelo Teu Nome”

Este filme de Luca Guadagnino (“Eu Sou o Amor”, “Mergulho Profundo”) escrito pelo realizador James Ivory, que adapta o livro homónimo do escritor egípcio André Anciman, publicado em 2007, glosa um tema recorrente no cinema: o adolescente que é iniciado no sexo e no amor por uma mulher mais velha, durante um Verão. Só que agora com a diferença da situação ser homossexual em vez de heterossexual, envolvendo um rapaz de 17 anos e um homem com vinte e muitos. Timothée Chalamet, no papel do jovem e intelectualmente precoce Elio, e Armie Hammer, no de Oliver, um americano recém-licenciado que vem trabalhar durante o Verão com o pai deste, um prestigiado professor de Arqueologia, são os principais intérpretes da fita, que se passa nos anos 80, em Itália. “Chama-me Pelo Teu Nome” foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler aqui a crítica.