O BPI fechou o ano de 2017 com lucros ajustados de 191 milhões de euros na atividade em Portugal, informou o banco esta terça-feira — são os melhores resultados dos últimos 10 anos, segundo o banco. Estes (lucros da atividade doméstica) foram ofuscados, no resultado consolidado, pelo efeito extraordinário (e contabilístico) relacionado com a diminuição da participação em Angola (no Banco Fomento de Angola). Em termos consolidados, e sem excluir esses efeitos contabilísticos, os resultados líquidos foram de 10,2 milhões de euros, mas o presidente-executivo, Pablo Forero, não poupou elogios à economia portuguesa.

Os resultados foram publicados esta terça-feira, pelo banco, e difundidos pelo regulador dos mercados, a CMVM. Foram, também, apresentados em Lisboa em conferência de imprensa liderada por Pablo Forero, o gestor que está ao leme da instituição desde a oferta pública de aquisição lançada pelo Caixabank. “Os resultados [em Portugal] devem-se a mais atividade de clientes, mais crédito e uma redução de custos e das imparidades”, afirmou Pablo Forero, que adiantou que o banco vai manter a marca BPI em Portugal (excluindo uma potencial mudança para o nome da casa-mãe, o CaixaBank).

A atividade doméstica tinha rendido 157 milhões de euros em 2016, pelo que existe uma melhoria de 21% nos lucros do banco em Portugal. O banco teve um aumento de 1% na margem financeira e cobrou mais 8,9% em comissões.

Ainda na atividade doméstica, o banco subtraiu aos lucros totais 78 milhões de euros com reformas antecipadas e rescisões voluntárias. Pablo Forero diz, agora, que “temos as pessoas de que precisamos, os balcões de que precisamos — ainda que o banco tenha de se adaptar todos os dias, mas não temos nada iminente”.

“Portugal estaria a crescer mais que outros”, mesmo sem Europa forte

O presidente-executivo do BPI salientou a importância das subidas de rating — “justas” — de que Portugal foi alvo e acrescentou: “a economia de Portugal está num caminho claro de recuperação. O país está a deixar para trás uma crise profunda e os clientes estão cada dia mais confiantes em fazer investimentos”.

Questionado pelo Observador sobre se está confiante de que este ímpeto positivo é estrutural — e não apenas conjuntural, por efeitos como o turismo ou o crescimento geral na Europa e no mundo — Pablo Forero diz que “pelas reformas que Portugal fez, mesmo que a Europa não estivesse num momento de forte crescimento, Portugal estaria a crescer mais do que outros“. E quais reformas são essas? “As que foram feitas, digamos, nos últimos anos“, afirmou Pablo Forero, evitando pronunciar-se sobre os méritos do governo anterior ou do governo atual.

Fora de Portugal, ou seja, em Angola e Moçambique, o banco contou com uma contribuição (positiva) de 208 milhões de euros a partir dessas duas unidades onde o BPI tem participações acionistas. Contudo, esse resultado é ofuscado pelos impactos fortemente negativos (e extraordinários) de 389 milhões de euros que estão relacionados com a contabilização da venda de 2% do Banco Fomento de Angola — que fez com que o BPI deixasse de ser o maior acionista da instituição e a tenha deixado de consolidar nos resultados (passou a ser, apenas, uma participação acionista).

Não é esse o único efeito: houve um impacto negativo de quase 69 milhões pelo facto de Angola ter sido considerada pelos auditores internacionais como economia de elevada inflação.

Pablo Forero adiantou que “a intenção do BPI é reduzir a participação [face aos 48% atuais], porque é essa a recomendação do BCE”, sem querer adiantar pormenores sobre de que forma, a quem ou quando a venda de mais uma parte da posição pode acontecer.