Os fósseis de uma nova espécie de dinossauro foram descobertos no Egito, revelou um estudo publicado esta segunda-feira no jornal científico Nature Ecology and Evolution. Mansourasaurus shahinae é um animal especial: em primeiro lugar porque é um titanosauro, um género que inclui os maiores animais terrestres que já habitaram o planeta; e em segundo lugar porque é um dos poucos fósseis de dinossauro alguma vez encontrado em África. A descoberta deste animal pode mesmo preencher um vazio que os cientistas tentavam preencher há 250 anos sobre a evolução dos dinossauros.

Este dinossauro é grande: tem o tamanho de um autocarro e o peso de um elefante, isto é, aproximadamente cinco toneladas. Nos últimos dois séculos e meio, a maior parte dos fósseis de dinossauros só tinham sido encontrados na Europa, América do Norte e na Ásia. Encontrar uma nova espécie no continente africano, aparentemente pouco rico em fósseis destes animais, significa que os cientistas estão mais perto de compreender a evolução dos dinossauros: o Mansourasaurus shahinae é “o Santo Graal que os cientistas procuram há tanto tempo”, descreveu Matt Lamanna, paleontologista envolvido na descoberta.

De acordo com o documento, os fósseis do dinossauro estão bem preservados e testemunham os últimos tempos da Era dos Dinossauros em África. Isso é importante porque ajudará cientistas de vários campos de estudo — da paleontologia à biologia e à geologia — a entender melhor a separação dos supercontinente Pangeia nos continentes que agora conhecemos; e a compreender que consequências é que isso teve na evolução das espécies animais em África.

Quanto ao Mansourasaurus shahinae, descoberto em pleno deserto do Sahara pela Universidade de Almançora, sabemos que tinha um pescoço longo, que comia plantas e que tinha placas ósseas por cima da pele. Estas características permitem só por si saber que o dinossauro descoberto no Egito está mais próximo das espécies encontradas na Europa e Ásia do que das encontradas na América do Sul, portanto alguns destes animais conseguiam migrar entre a Europa e África: “Os últimos dinossauros de África não estavam completamente isolados, ao contrário do que já se pensou no passado”, explica o Museu de História Natural Carnegie à CNN. Provavelmente viveram numa época em que os dois continentes ainda estavam ligados.