Jonas lesionou-se contra o Portimonense e saiu ao minuto 64. Não se sabia de jogaria com o Boavista ou não. Recuperou. E jogou mesmo. Mas não lhe correu bem.

Logo ao minuto 14, Cervi e Grimaldo tabelam à esquerda, o argentino entra na grande área e quando se prepara para cruzar é derrubado por Rossi. O árbitro Tiago Martins não hesitou na decisão e assinalou a grande penalidade. Na conversão do penálti, Jonas escolheu o lado esquerdo da baliza, Wagner adivinhou-lhe a intenção e defendeu. É a segunda grande penalidade consecutiva (antes, falhara no Restelo) que o brasileiro desperdiça.

Pouco mais se avistou Jonas na primeira parte.

Na segunda, ao minuto 71, Pizzi entrou na grande área pela direita, cruzou recuado e Jonas rematou de primeira. Wagner foi defender junto ao poste direito. Ávido por golos, Jonas estava a perder a calma. E mais perderia ao minuto 77. Apesar de tudo, apesar do golo, perderia. Zivković cruza para a grande área desde a esquerda, o sérvio procurava Jonas mas Talocha antecipou-se e cortou de cabeça. Mas cortou contra Nuno Henrique e a bola entrou na baliza do Boavista. O Benfica festejou, todo o estádio festejou. Mas não Jonas.

No minuto seguinte, aplaudido mas cabisbaixo, deu a vez a Jiménez.

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É a primeira vez que, está temporada e num jogo a contar para o campeonato, o brasileiro não consegue marcar na Luz. A última vez que tal aconteceu foi há quase um ano, contra o Chaves. Mas é também a primeira vez que o goleador não faz qualquer golo em duas jornadas seguidas. Diante do Portimonense Jonas também ficou em branco.

É certo que não houve Jonas como antes na Luz. E isso é notícia. Mas à falta de Jonas, houve Zivković de sobra.

Hoje que o Benfica está a disputar o título com Porto e Sporting, poucos se recordarão (talvez os mesmo que antes do Natal afastavam os da Luz da disputa) que o começo da temporada do Benfica estava a ser bem penoso. E penou o Benfica até perto do Natal. Tudo mudaria com a chegada de Krovinović ao onze. O croata, o talento do croata, revolucionou tudo ou praticamente tudo. A bola que antes circulava a custo, enfadonha, já circulava: “redonda”, célere e vertical. Mas Krovinović lesionou-se com gravidade e era preciso encontrar um substituo da mesma estirpe.

Vitória ainda tentou João Carvalho mas Carvalho não era como o croata, ainda não.

Então, e olhando em volta, o treinador lá descobre outro “”ić” no banco, Zivković, que apesar de rotulado de talento na Sérvia, pouco ou nada jogava no Benfica. Desde que começou a ser titular, agora ao centro – utilizado na ala, o canhoto perdia-se em dribles vãos, faltando-lhe ser objetivo –, Zivković melhorou de encontro para encontro, sendo ele a procurar a bola mais do que a bola o procurava, trazendo-o para onde se quer, o ataque, circulando-a sempre com precisão de relógio e firmeza de relojoeiro.

Terminado o encontro com o Boavista, Zivković não tinha qualquer passe, cruzamento ou remate errado. Nem desarme, pois Zivković também é hoje de defender. Foi ele o melhor na Luz.

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Benfica-Boavista, 4-0

Estádio da Luz, em Lisboa

Liga NOS 2017/18, Jornada 23

Árbitro: Tiago Martins (AF Porto)

Benfica: Varela; André Almeida, Rúben Dias, Jardel e Grimaldo; Fejsa, Pizzi (João Carvalho, 84′) e Zivkovic; Rafa (Diogo Gonçalves, 70′), Cervi e Jonas (Jiménez, 78′)

Suplentes não utilizados: Svilar, Luisão, Samaris e Seferovic

Treinador: Rui Vitória

Boavista: Vagner; Carraça, Raphael Rossi, Henrique e Talocha; Sparagna, David Simão e Fábio Espinho (Rochinha, 70′); Kuca (Renato Santos, 46′), Yusupha e Rui Pedro (Mateus, 46′)

Suplentes não utilizados: Assis, Vítor Bruno, Idris e Tiago Mesquita

Treinador: Jorge Simão

Golos: Rúben Dias (18’), Jardel (44’), Nuno Henrique (auto-golo, 77′) e Jiménez (90′)

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Jardel (31’) e Diogo Gonçalves (79′)

Mas voltando, nem de propósito, à Luz.

O primeiro golo foi à passagem do minuto 18. Canto de Cervi à esquerda, é batido longo para o segundo poste, Jardel amortece e Rúben Dias bate Wagner no poste contrário. O guarda-redes brasileiro ainda tocou na bola ao de leve. O segundo foi ao minuto 44. E a fórmula idêntica. Novamente de canto, novamente à esquerda e novamente com Cervi a bater. Na grande área, Jardel salta mais alto do que Rossi e desvia para a esquerda da baliza. O guarda-redes Wagner desta vez nem se mexeu. O Benfica fez o seu 10.º golo a partir de um canto esta temporada no campeonato.

Na segunda parte os da casa abrandariam a pressão alta do início, deixariam também de acossar a baliza adversária, e o Boavista (que mal se viu na primeira) perdeu a “vergonha”. O primeiro remate do Boavista em toda a partida foi somente ao minuto 50. Canto de David Simão à direita, o médio ex-Benfica cruza para a entrada da grande área e Fábio Espinho remata de primeira. O remate é fraco e Varela segura. O Boavista voltaria a procurar o golo dez minutos volvidos. Mateus recupera a bola a Zivković – houve falta sobre o médio mas Tiago Martins deixaria seguir –, avança em direção à grande área e, chegado à entrada desta, rematou cruzado. O remate passou perto do poste esquerdo do Benfica.

Como quem não se sente não é filho de boa gente, o Benfica, sentindo a ameaça do Boavista, arrumou o jogo ao minuto 77, com o auto-golo de Henrique. No minuto derradeiro, João Carvalho isola André Almeida na grande área, à direita, o lateral teve tempo e espaço de sobra para cruzar, cruzou para Jiménez e o mexicano, em frente da baliza, só precisou de desviar: 4-0.