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Não há duas sem três, muito menos para este Jonas, o avançado brasileiro que vai a caminho dos 34 anos mas que continua a ser decisivo no Benfica como se de um miúdo se tratasse: depois de ter ficado em branco nos triunfos dos encarnados com o Portimonense (3-1) e o Boavista (4-1), o número 10 voltou a aparecer quando a equipa mais precisava para materializar o domínio na segunda parte e conseguir fazer a reviravolta (72′ e 88′) num jogo em Paços de Ferreira que terminou com a vitória dos campeões por 3-1 (Rafa sentenciou o resultado nos descontos).

No final da partida, o internacional destacou a importância das entradas de Raúl Jiménez e Seferovic para “abrir mais espaços na frente”, elogiou a “tranquilidade emocional” que a equipa teve mesmo saindo em desvantagem ao intervalo e falou também da importância do regresso aos golos após duas jornadas em branco.

Vou feliz para casa porque estava a precisar de voltar aos golos, há essa pressão internamente. Nós somos avançados e vivemos de golos. Hoje vou feliz, não só pelos dois golos mas também pelo resultado. É difícil ganhar aqui mas a equipa mereceu”, salientou.

Em paralelo, Jonas explicou também o forte abraço a Luisão após o golo decisivo, numa espécie de agradecimento pelo “safanão” que levou ao intervalo do central. “Disse-me para me focar mais no jogo. Eu também estava a falar muito com o árbitro e, com as paragens, os adversários estavam a perder muito tempo. O Luisão deu-me um ‘toque’ e disse-me para focar mais no jogo porque isso iria render mais”, confidenciou.

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Assim, e contas feitas, Jonas leva já 27 golos em 24 jogos realizados na Primeira Liga, sendo de longe o melhor marcador da prova. O brasileiro é o melhor em Portugal e podia ser o maior da Europa… se não fosse o ranking de Portugal nas competições internacionais. Estranho? Expliquemos: na presente temporada, as equipas nacionais desceram ao sétimo lugar do coeficiente da UEFA, atrás de Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália, França e Rússia. E, por isso, os golos apontados no nosso Campeonato passam a ter uma ponderação de 1,5, contra dois das principais ligas. Por causa disso, o avançado está em sétimo na lista da Bota de Ouro com 40,5 pontos, atrás de Cavani, Kane, Salah, Immobile, Messi e Agüero; se fosse na época passada, estaria não só na liderança como dispunha de um avanço de oito pontos em relação aos dianteiros do PSG, do Tottenham e do Liverpool.

Ainda assim, o mérito da fantástica temporada de Jonas não sai em nada beliscado. E isso pode também ser comprovado pelo peso que tem em termos ofensivos no Benfica: como explica o Playmakerstats, o brasileiro esteve em quase metade (47%) dos golos apontados pelos encarnados na presente época.