O pedido feito por parte do Sporting para passar a ser assistente no caso dos emails foi aceite pela juíza de instrução do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, de acordo com a revista Sábado. Desta forma, e caso seja necessário, os responsáveis verde e brancos poderão intervir no processo que está agora a decorrer.

O despacho a anuir à intenção dos leões já terá chegado a Alvalade. Ainda assim, este não é o único processo em que o Sporting será assistente, porque já tinha pedido o mesmo para o caso dos vouchers. No seguimento dos últimos desenvolvimentos do processo e-toupeira, existe a possibilidade de avançar com um pedido semelhante mas o mesmo ainda não terá dado entrada.

O denominado caso dos emails teve início a 8 de junho, no seguimento de uma denúncia anónima que acusava o Benfica de um eventual esquema de corrupção na arbitragem para seu benefício e depois de Francisco J. Marques, diretor de comunicação do FC Porto, ter lido alguma correspondência eletrónica trocada entre elementos ligados às águias e à arbitragem.

Casos vouchers, emails, Lex e e-toupeira: o que pode acontecer ao Benfica e aos seus dirigentes

A 28 de setembro, a Sábado noticiou que o juiz Jorge Marques Antunes tinha recusado, no último dia em que estava de serviço na Instrução Criminal da Comarca de Lisboa, autorizar as diligências preparadas pela UNCC da PJ e que envolviam buscas e apreensão de documentos, alegando que se tratava de um processo que tinha correspondência obtida de forma ilícita que não podia ser utilizada como meio de prova. Ou seja, as buscas ao Benfica, no estádio da Luz, e em alguns domicílios, nomeadamente o do presidente dos encarnados, Luís Filipe Vieira, não puderam avançar. De acordo com a revista, citando fontes ligadas ao processo, a PJ terá ficado “em polvorosa”, até porque tinha recolhido vários depoimentos que confirmavam a informação que estava nesses mesmos emails. A 19 de outubro, a intenção acabou mesmo por concretizar-se.

Assim, como explicou a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL), “no âmbito de um inquérito da 9.ª secção do DIAP de Lisboa foram emitidos mandados de busca domiciliária e não domiciliária, relativos a investigação em curso pelos crimes de corrupção passiva e ativa. No inquérito investiga-se a prática, por parte de um suspeito, dos referidos crimes, relacionados com os denominados emails do Benfica”. Além do estádio da Luz, houve buscas na casa de Luís Filipe Vieira, Paulo Gonçalves e Pedro Guerra, entre outros. Paulo Gonçalves, assessor jurídico, terá sido constituído arguido na qualidade de advogado do Benfica (como estava em causa o segredo profissional, teve que se constituir como tal para que as buscas se concretizassem na presença de um representante da Ordem dos Advogados). “Estas operações, que pecam por tardias, são encaradas com a maior normalidade pela Sport Lisboa e Benfica SAD que, desde o primeiro momento, requereu e disponibilizou-se a fornecer toda a informação necessária a um cabal esclarecimento de toda esta situação, reiterando a sua total colaboração ativa nos trabalhos que estão em curso para o apuramento da verdade”, comentou nesse dia o clube em comunicado.

Buscas no Benfica levam à constituição de arguido de braço direito de Luís Filipe Vieira

“Os factos sob investigação respeitam à suspeita da atuação de responsáveis do SLB SAD que, em conluio com personalidades do mundo do futebol e da arbitragem, procuraram exercer pressão e influência junto de responsáveis da arbitragem e outras estruturas de decisão do futebol nacional, tendo em vista influir na nomeação e classificação de árbitros nesse âmbito”, defendiam os mandados de busca dos inspetores da PJ, citados pela revista Sábado.

Em janeiro, o caso dos vouchers foi junto ao caso dos emails. No dia 30 desse mês, o estádio da Luz terá sido de novo alvo de buscas por uma equipa de investigadores do crime económico da Polícia Judiciária. As buscas ao Benfica aconteceram no mesmo dia em que decorreram as buscas relacionadas com a Operação Lex e foram realizadas por uma equipa que tinha um mandado de busca e apreensão relacionado com o chamado caso dos emails.

Polícia Judiciária junta alegada viciação de resultados a processo dos vouchers e dos emails

Quatro dias depois de ter sido tornado público que o caso dos vouchers e o caso dos emails tinham sido juntos num só, o Expresso avançou que a Polícia Judiciária e o Ministério Público tinham decidido juntar também esta denúncia de alegada viciação de resultados na temporada 2015/16 tinha sido anexada aos supracitados casos, criando uma espécie de “mega processo” onde existiriam suspeitas de corrupção ativa e passiva para alcançar o domínio do futebol nacional.