Aung San Suu Kyi foi processada por advogados em Melbourne por crimes contra a humanidade. De acordo com o The Guardian, a Nobel da Paz e líder de Myanmar, que de momento se encontra na Austrália, é acusada de deportar ou transferir população de forma forçada no pais onde dirige o Governo. Myanmar tem sido alvo de acusações várias de violações dos direitos humanos, dirigidas em especial para a minoria Rohingya, maioritariamente de religião muçulmana.

Desde Agosto do ano passado, mais de 650 mil Rohingya se viram obrigados a abandonar Myanmar rumo ao Bangladesh, em fuga da perseguição violenta promovida pelas forças militares myanmarenses contra a minoria muçulmana.

A tramitação do processo está dependente do consentimento do Procurador-Geral da Austrália, país onde tais procedimentos são necessários em processos que têm jurisdição internacional.

San Suu Kyi está a ser processada pelos advogados Ron Merkel, Marion Isobel, Raelene Sharp, Alison Battisson e Daniel Taylor. O processo deu entrada no tribunal de Melbourne esta sexta-feira, estando agora a ser analisado. A decisão do procurador australiano é esperada na próxima semana.

Num comunicado, a acusação diz que “há amplos e credíveis relatos de testemunhas oculares de extensos e crimes cometidos de forma generalizada contra a população dos Rohingya muçulmanos por parte das forças de segurança de Myanmar, incluindo mortes extra-judiciais, desaparecimentos, violência, violação, detenções ilegais e destruição de propriedade e aldeias inteiras. A Sra. Suu Kyi negou a ocorrência de todos estes eventos”.

Os advogados alegam ainda que a Nobel da Paz de 1991 “falhou no uso da sua posição de autoridade e poder, e, como tal, permitiu que as forças de segurança de Myanmar deportassem e removessem Rohingya das suas casas à força.”