Miguel Oliveira sabia bem da importância de sair bem no Grande Prémio do Qatar, prova inaugural do Mundial de Moto 2 de 2018. E explicou isso mesmo no final da qualificação, que lhe valeu o quarto melhor tempo do dia. “Vou concentrar-me em fazer um bom arranque e em evitar o tráfego para que possamos chegar o mais alto e rápido possível, depois vai ser tudo sobre rodar no melhor ritmo que conseguir”, referiu. Durante alguns segundos, o plano correu da melhor forma, mas depois chegou a primeira curva e tudo se complicou.

O piloto português da KTM teve um fantástico arranque, subiu à terceira posição a olhar já para a segunda, mas acabou por ter de abrir em demasia na primeira curva, chegando ao final da primeira volta no oitavo lugar. Mais tarde, na repetição, ficou até a sensação de que terá havido um ligeiro toque em Álex Márquez que obrigou Miguel Oliveira a mudar a trajetória normal. O espanhol, irmão mais novo do tetracampeão de Moto GP, desceu do primeiro para o terceiro posto, ultrapassado pelos italianos Francesco Bagnaia e Lorenzo Baldassarri.

Esse início acabou por hipotecar as reais hipóteses do piloto de Almada intrometer-se na luta entre o trio que tem rodado mais rápido ao longo da semana e que conseguiu cavar uma margem confortável para os perseguidores, deixando-o na luta entre o quarto e o oitavo lugar. Logo na segunda volta, Miguel Oliveira subiu à sétima posição, ficando depois a travar um aceso duelo com o alemão Marcel Schrötter nos minutos seguintes. Na oitava volta, o germânico ultrapassou Brad Binder, o companheiro de equipa do português.

Enquanto Miguel Oliveira ia conseguindo algumas voltas mais rápidas naquele lote de pilotos entre o quarto e o oitavo lugares, Álex Márquez conseguiu ultrapassar Baldassarri e começou mesmo a ameaçar Bagnaia quando sentiu problemas na moto a seis voltas do final, parecendo mesmo ter ficado sem travão traseiro. O espanhol desceu de novo para a terceira posição, curiosamente na mesma altura em que Miguel Oliveira conseguiu ultrapassar Binder e Schrötter, subindo ao quinto lugar a cerca de dois segundos do quarto, Mattia Pasini. E por aí ficou.

O italiano Francesco Bagnaia, que esteve na frente durante toda a prova apesar de ter saído do terceiro posto, conseguiu assegurar o primeiro lugar na prova inaugural do Mundial de Moto 2, à frente do compatriota Lorenzo Baldassarri (que ainda chegou a subir à liderança da última volta, antes do contra-ataque com sucesso do piloto da Sky Racing Team VR46, de Valentino Rossi). Apesar das dificuldades com a moto, Álex Márquez conseguiu defender até à última a terceira posição, ficando à frente do transalpino Mattia Pasini.

Recorde-se que, depois do 11.º lugar em 2016 (ano de estreia em Moto 2), Miguel Oliveira tinha conseguido uma excelente quarta posição no Grande Prémio do Qatar em 2017, andando na luta pelo pódio com o japonês Takaaki Nakagami até ao final (o italiano Franco Morbidelli foi o vencedor, seguido do suíço Thomas Lüthi). A segunda prova do calendário será o Grande Prémio da Argentina, a 8 de abril.