O uso do caju como fonte de vitamina C foi um dos apelos hoje feitos por Mário Mendonça, especialista guineense ligado ao setor, que lamentou a falta de consumo daquele produto pela população.

Especialista do setor do caju, ligado aos vários projetos como consultor e ultimamente afeto a uma iniciativa financiada pelo Banco Mundial para melhoria da produção do produto, Mário Mendonça vê o caju “em várias vertentes pouco aproveitadas” na Guiné-Bissau.

Atualmente, a Guiné-Bissau produz cerca de 300 mil toneladas anuais e mais de metade é exportada principalmente para a Índia, mas para Mário Mendonça o país “devia incentivar mais” o consumo do caju dadas as suas propriedades alimentares.

“No período do caju as pessoas não têm problemas de vitamina C. Um caju em cada refeição cobre toda necessidade de vitamina C”, observou Mário Mendonça, que defende a transformação local em vez de venda da totalidade da produção guineense.

No dia em que a Guiné-Bissau conseguir retirar mais do que o sumo e a castanha do caju, não só estará a combater a fome, a aumentar postos de emprego, a ter mais receitas públicas, a criar hábitos de trabalho e ainda a combater a desertificação já que o produto se adapta a zonas áridas, considerou Mário Mendonça.

A falta de estratégia para o produto, segundo o especialista, leva a que o Estado esteja a perder milhões de dólares anualmente.

Atualmente, o produto rende cerca de 200 milhões de dólares, mas as receitas poderiam ser muito superiores, explicou.

Mário Mendonça aponta a transformação local de todo caju que produz como “o grande objetivo” que a Guiné-Bissau “tem que atingir a longo prazo”, como fez o Vietname que a dado momento proibiu a exportação do seu caju, afirmou.

O caju é o principal produto agrícola e de exportação na Guiné-Bissau.

Estudos e especialistas recomendam a transformação local do produto, no entanto, a capacidade instalada para o processamento do caju na Guiné-Bissau assegura apenas 30 por cento.

Mário Mendonça garante que “apenas dois a três por cento” das cerca de 300 mil toneladas produzidas (cerca de 170 mil é exportada anualmente) é sido processada.

Transformado, o caju pode resultar na amêndoa, bastante consumida em países industrializados e que na Índia é usada na culinária e para fins terapêuticos, da sua casca pode-se extrair o óleo LCC (que serve, entre outros, para pintura, fabricação de vernizes, para dar consistência aos motores de aviões) e ainda fazer farinha.

Da polpa do caju, quase não aproveitada na Guiné-Bissau, segundo Mário Mendonça, pode fazer-se também, licores, bolachas, bolos, e da árvore pode retirar-se lenha.

Mário Mendonça vaticina “um bom futuro” para o caju da Guiné-Bissau, que ainda não recorre a fertilizantes do solo, mas avisa serem necessárias reformas urgentes na produção e ainda “um avanço faseado” para a transformação.

O especialista alertou também que “há muito dinheiro de proveniência pouco clara” a circular no negócio do caju, sublinhando que é errado dizer que a campanha correu bem só porque o agricultor ganhou dinheiro.

“O negócio de caju só é bom quando todos os intervenientes ganham dinheiro: agricultor, comerciante local, transformador e o exportador”, defende Mário Mendonça.

A campanha oficial de compra e venda do caju da Guiné-Bissau tem início hoje na cidade de Gabu, a 200 quilómetros de Bissau, pelo chefe do Estado, José Mário Vaz.

É a partir desse ato que se vai fixar o preço mínimo pelo qual o caju será comprado ao produtor este ano.